02 setembro 2011

Entrevistas NOVÍSSIMOS 2011 ____ Laila Terra (SP)


1- Na sua opinião, por que jovens artistas ainda têm interesse em participar de salões?

Os salões dentro da configuração de edital aberto para artistas de todo o Brasil e mundo, sem restrições em relação às linguagens, formato, idade ou experiência expositiva, talvez seja a forma mais simples e democrática que temos hoje para um artista olhar o trabalho em um espaço expositivo e receber análises e criticas de pessoas externas. Acredito que esta seja a parte mais importante das exposições, sendo assim, os salões poderiam investir mais na conversa entre artistas e críticos. O museu de arte de Ribeirão Preto, por exemplo, nos dias seguintes das aberturas de todas as exposições organiza um bate-papo aberto com os artistas, críticos e publico para discutir os trabalhos.

Apesar desta possibilidade simples dos salões, hoje vivemos um problema sério em relação ao excesso de editais e competições de arte. Um dos problemas deste excesso de editais é a dependência dos artistas em relação aos salões para apresentar seu trabalho e ter algum retorno de outros artistas e críticos. Talvez os espaços mais independentes de arte não tenham mais uma configuração de importância no olhar dos críticos e dos próprios artistas, e, ou então, alguns espaços que surgiram como independentes, hoje seguem as mesmas regras de editais e de seleção dos grandes salões. Existem galerias menores, tanto publicas quanto particulares, que deveriam receber mais atenção e interesse dos artistas para exporem, e um olhar mais interessado e atencioso dos críticos e curadores, que aparentemente se interessam apenas pelas exposições mais oficiais.

2- Qual a importância para você em colaborar com um projeto como Novíssimos? O que isso agrega (ou agregaria) para sua formação e para sua trajetória artística?

Essa exposição está sendo muito importante para mim, em relação à forma em que eu enxergava o meu trabalho antes e a forma que comecei a repensar minha produção. Este trabalho é do final do ano de 2010, e até a data de exposição (julho) eu havia criado uma pausa no meu trabalho por conta de uma mudança de ateliê. Foi muito importante dentro desta pausa ter a possibilidade de ver esse conjunto livre de tudo o que eu poderia imaginar antes. Livre das minhas idéias anteriores e do meu entendimento técnico de até então. Foi muito bom ouvir o Ivair e outros artistas como o Ivan e a Rebeca sobre minha obra. As galerias poderiam investir mais neste momento de conversa com os artistas e com os curadores, algo similar ao o que o MARP faz em Ribeirão Preto.


3- Como ficou sabendo das inscrições? Já conhecia o Salão ou a Galeria Ibeu?

Pela internet, nestes sites especializados em divulgação de editais.


4- De que modo o(s) trabalho(s) exposto(s) na Galeria pode(m) ser compreendido(s) em relação a sua produção, vista em conjunto?

O trabalho “X,+ e +” foi a última série de um conjunto grande de obras que desenvolvi no ano de 2010 com a técnica de serigrafia. Minha produção sempre foi muito voltada para as técnicas de gravuras planográficas, onde consigo juntar o pensamento do desenho e da pintura. Durante o ano de 2010 comecei a estudar a técnica de serigrafia com o desenho direto sobre o suporte matricial. O meu desejo desta descoberta técnica envolvia a fusão do meu pensamento pictórico, que muitas vezes não consegue se resolver na pintura, com o desenho. Estas séries que desenvolvi propunham construir uma qualidade de cor, de tinta, transparências em conjunto com o pensamento gráfico.

A série “X, + e +” foi o primeiro conjunto que funcionou com a pintura do touche sobre a tela para construir a matriz. Esse trabalho é baseado em um conjunto de desenhos que fiz no começo do ano de 2010, que envolvia a escrita (carimbos, máquina de escrever e caligrafia) em conjunto com símbolos, ícones, desenho e o preto como construção pictórica. Fiquei muito feliz por ver esse conjunto exposto, já que, diante dos outros trabalhos, ele resume todo o meu pensamento do ano. O preto, tanto como tinta, quanto mancha gráfica, os símbolos tanto quanto uma iconografia histórica da arte, quanto elementos de pura composição nas gravuras.

Hoje, após a exposição eu vejo outras questões nas gravuras que não compreendia. Comecei a entender mais o motivo de ter trabalhado ao longo do ano passado com a gravura e não com a pintura direta sobre o papel ou sobre a tela, e o porquê da não reprodução das gravuras.


5- Poderia falar um pouco sobre seu processo investigativo?

Meu trabalho se divide em diversas linguagens e construções de pensamento. Tenho uma produção com instalações e trabalhos com proposições sobre musica. Outras séries de livro de artistas, revistas-objetos, objetos multiplicável e como principal pesquisa o desenho e a gravura. Mas mesmo dentro desta variedade de linguagens, toda a minha produção envolve um desejo de formalização de uma idéia. Cada gravura, desenho ou projeto se forma como um fragmento de um processo de trabalho ainda não concluído.