06 setembro 2011

Daniel Lannes | Old master techniques and contemporary applications - SÓ LAZER


A Galeria de Arte Ibeu inaugura no dia 14 de setembro, às 20h, a exposição "Old master techniques and contemporary applications - SÓ LAZER", individual do artista DANIEL LANNES, com curadoria de Humberto Farias. A exposição ficará aberta ao público de 15 de setembro a 21 de outubro, de 13h às 19h, de segunda a sexta, com entrada franca.

DANIEL LANNES foi premiado pela Comissão Cultural do Ibeu pelos melhores trabalhos da coletiva Novíssimos 2010: as pinturas “Banana Republic” e “Guignard with lazers”, que lidavam ironicamente com as convencionais representações do Brasil, satirizando esses estereótipos de maneira inteligente e bem humorada. O prêmio é a exposição individual que o artista inaugura no próximo dia 14.

A exposição reúne 12 pinturas que investigam a tradição da pintura figurativa brasileira. Tradição essa que se inicia com a influência do neoclassicismo francês, trazido por Debret, e continuada por pintores brasileiros como Pedro Américo, Victor Meirelles, entre outros.

“Meu interesse reside na forma como essa tradição neoclássica foi absorvida e digerida pelos pintores brasileiros do final do sec. XIX, tais como Almeida Junior, Rodolfo Amoedo, dentre outros, pois além de serem influenciados pela tradição europeia do neoclassicismo, já traziam consigo também uma espécie de imaginário regional, local, formando uma certa ideia de brasilidade visual pautada pela exuberância natural da fauna e flora, pelo indianismo. Enfim, por vários elementos que mais tarde se ratificariam até como clichês visuais do Brasil, ou pelo menos de um certo Brasil: a sensualidade, a mulata, a palmeira, a arara, a praia, o tucano etc. É justamente nesse limite do clichê, do exótico, do mau e bom gosto que eu procuro investigar essa tradição brasileira da pintura figurativa. Uma tradição que se formou de forma complexa e truncada”, diz DANIEL LANNES.

De acordo com Humberto Farias, curador da exposição, as pinturas de Lannes narram vivências cotidianas entrecruzando-as com referências de obras clássicas da arte brasileira – como silhuetas de frequentadores de um baile funk inspiradas na composição pictórica de Debret, ou as imagens de acontecimentos sociais, do tipo “churrasco na laje”, construídas a partir de técnicas clássicas de pintura hoje praticamente esquecidas, como desenho a carvão, grisaille, valorização, modelado, velatura e muitos outros recursos que lhe servem como instrumentos para realizar em suas telas imagens jocosas, porém pomposas.

Daniel tem 30 anos, nasceu, vive e trabalha em Niterói (RJ). É mestrando em Linguagens Visuais pela UFRJ. Já ganhou duas bolsas de estudo e residência na Califórnia e Nova York (EUA) e foi indicado ao Prêmio PIPA em 2011.