Visionário Americano: vida e época de John F. Kennedy



O Instituto Brasil-Estados Unidos e o Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro convidam para a inauguração da mostra Visionário Americano: vida e época de John F. Kennedy

Abertura: 11 de junho (2ª feira), de 18h às 20h 
Visitação: até 29 de junho de 2018


Depois de passar por museus norte-americanos, a mostra fotográfica “Visionário Americano: vida e época de John F. Kennedy” viaja pelos Centro Binacionais brasileiros escolhidos pela Embaixada Americana e chega ao IBEU - único curso de inglês certificado pela Embaixada -   no dia 11 de junho, às 18h. Em parceria com o Consulado Geral dos Estados Unidos, a exposição realizada na GALERIA DE ARTE IBEU é baseada no livro "JFK: uma visão para a América" - lançado em 2017 e com curadoria de Lawrence Schiller - e composta por 25 fotografias extraídas de uma das coleções mais completas e pesquisadas sobre o legado de Kennedy, com imagens selecionadas da Biblioteca Presidencial John F. Kennedy, Biblioteca da Fundação John F. Kennedy, Getty Images, além do acervo privado e arquivos da família Kennedy.

O governo de Kennedy coincide com uma era de ouro do fotojornalismo nos Estados Unidos. Nenhum outro político foi mais fotografado que ele, desde sua primeira candidatura ao Congresso, passando pelo casamento com Jacqueline Bouvier em 1953 e por sua trágica morte em 1963. Fotógrafos documentaristas como Ed Clark, Ralph Crane, Philippe Halsman, Jacques Lowe, Steve Schapiro e Sam Vestal capturaram o otimismo e os desafios do início dos anos 1960 em algumas das mais vívidas imagens da época.

O livro que inspira a exposição destaca os melhores discursos de Kennedy, juntamente com artigos de historiadores, principais pensadores políticos, escritores e artistas. Na publicação, Kennedy é apresentado como um líder provocador, inspirador, eloquente e sábio a respeito de temas abrangentes, incluindo direitos civis, corrida espacial, meio ambiente, imigração, crise dos mísseis cubanos, entre outros.


Galeria de Arte Ibeu
Rua Maria Angélica, 168 - Jd. Botânico / RJ

Resultado NOVÍSSIMOS 2018


A Comissão Cultural do Ibeu torna público o resultado final da seleção para o 47º Salão de Artes Visuais NOVÍSSIMOS 2018.

Selecionados:

Agrippina R. Manhattan 
Danielle Cukierman
Daniela Paoliello
Leka Mendes
Letícia Pumar
Marc do Nascimento
Marina Hachem
Renata Nassur
Rodrigo Ferrarezi 
Samantha Canovas
Sani Guerra
Willy Reuter

Os artistas selecionados receberão um comunicado por email no início de junho com informações sobre a exposição.

O Ibeu agradece a participação de todos os inscritos.

Âmbar - Texto de Cesar Kiraly para a individual de Felipe Fernandes



1. No penúltimo dia, ela deixara sobre a mesa um calhamaço todo escrito. O motivo de terem passado aqueles dias juntos não era evidente. É certo que ele foi até ela. Poderia se aventar um envolvimento romântico, por que não (?) , ela mais velha um pouco, e ele ainda um rapaz. A razão não era muito importante. Eles se olharam nos olhos, estiveram apreensivos antes das primeiras frases trocadas. Ela lhe preparou um daqueles cafés de máquina, o mais amargo possível, que ele tomou sem açúcar. Eles conversaram por horas. A respiração dela que parecia frágil, tendo que se recuperar de tanto em tanto, adquiriu resistência, modulação e ânimo. Se reconheceram pela meticulosidade dos gestos e por isso custaram a se despedir. Se poderia pedir algo à escritora, não o fez. O abandono, diante dele, do calhamaço, à cuja caligrafia rapidamente se adaptou, é que soava como um pedido. No tempo de ir embora, reuniu os papéis e se foi.

2. Ele a conheceu por suas palavras e imagens. A sobreposição de cores metálicas de seus poemas sempre o emocionara. Além do que a ninguém era dado mostrar tão bem a ruína do mundo de ontem terminando em resíduos de ferrugem / vergalhões à mostra / capacetes de obra abandonados / escadas para lugar nenhum / . Aquelas páginas repletas de arabescos em caneta azul eram tomadas completamente de linhas em prosa e mais prosa. As narrativas que ele encontrou não eram de alegorias. Havia uma curiosa equação trevosa entre fantasia, breviário dos acontecimentos do dia e a mesma lírica resistente, antes sentida nos versos repletos de branco no entorno. O tom sugeria a leitura para crianças. Isso porque as situações eram simples, de traquinagens literais, pendentes ao delírio de entorpecimento, de satisfação imaginativa. Apesar disso, teve medo, porque entre gansos, girassóis e margaridas, a morte e a crueldade eram presenças, como sentidos, personagens ou paisagens e não dissimulavam a dor que eram capazes de provocar. A reação foi estar sempre com uma folha daqueles manuscritos, dobrada em quatro pedaços, e se comportar como tendo uma missão, retribuir ao que não era bem um presente, como faria um selvagem diante da dádiva, de modo que pudesse confundir a sua alma com tais preciosos artefatos de celulose e tinta.

3. Não havia finalidade nas histórias que dobrava e colocava no bolso. Nada de surpreendente no desaparecimento por decurso de tempo. O mais curioso é que o tempo, no que ela escrevia, era feito de instantes, tão próximos, que todos os acontecimentos pareciam contínuos, por mais que pudessem levar para uma mesma direção. A partida do vovô, de um gatinho etc. O esgotamento poderia ser irreversível mas outros acidentes surgiriam. Assim não tomou decisões. Não é que tenha decidido não tomar. Elas deixaram de fazer sentido. Daí não haveria porque tomá-las. O dom a ser revertido em resposta às laudas deixadas diante de si não teria a verve de uma despedida, nem de convencimento. A medida tomada seria a de redobrar a flutuação atenta para não deixar a cumplicidade, entre meio e gesto, escapar.

4. Ele morava no último andar de uma fábrica abandonada. Apenas um banheiro coletivo no final do corredor. O seu império era um quarto, grande para um quarto, pequeno para um império. As imensas janelas permitiam avistar o mundo inteiro. Por isso a elas precisava amarrar lençóis. No mais, eram os seus livros borrados de tinta, na parte em que se vira as páginas, e as suas pinturas maiores apoiadas às paredes. A sua rotina precisa apenas disso e da companhia daqueles escritos. Se era guiado por uma grande torre, ornada por relógios quebrados, ainda faltava um ponto de referência, um meridiano, para que o senso de direção se tornasse cúmplice do que estava empreendendo. Até então eram as telas grandes que o ajudavam. Antes mais escuras, representantes da fluência com que sentimentos duros se materializavam para além dele mesmo, depois mais claras, como se parte daquilo tudo estivesse amadurecendo entre sombras tendentes à tempestade.

5. À escolha entre o trabalho mais melancólico do mundo e se acostumar, a não simplesmente se mover para encontrar a combinação de que precisa, sentiu que não havia necessidade de decidir, e que estaria na ilha do ataque mais calmo e da surpresa movida pelo deslocamento. Aquelas pequenas telas com as quais havia sido presenteado / insuficientes para qualquer coisa / e o fechamento do armarinho da esquina / e mais os dinheiros escondidos no seu bolso com os quais arrematara um sem número de superfícies para treino de pintura / seriam a pergunta à resposta presente nos escritos dos quais se tornara leitor único. O dom, indiscernível, nesse momento, de seus próprios passos, ao qual se abandonava, apareceria naquelas estruturas variadas de madeira e pano.

6. Ele o fizera sem saber a direção. Apenas um ou outro ponto de referência. Porventura uma cruz em cima do morro mais alto, como no Guignard falso tomado como de estimação. Ao meridiano não resistiria. Um para cada dia do mês / mesmo que demorasse tanto / durasse o que durasse. As telas chamariam pelo acréscimo de camadas de cola, a oferecer brilho local e imprevisto, e de vilosidades de fita crepe, no que se entenderia como uma atmosfera a clamar por cúmplices. A gravidade atrairia pétalas de papel de seda e formas circulares completadas por caneta hidrocor, que umidificadas pela tinta mudariam de tom, além de acrescentarem relevo à acrílica. Sob lógica idêntica, adeririam retalhos de casas, bananas e papel de jornal a se perderem no complemento da colagem à pintura, sem desafio da primazia.

7. A composição estabelecia, por vezes, um matiz mais forte a funcionar de moldura delimitadora do âmbito dos acontecimentos. Há um clima alegre como nas colagens do Matisse. Todavia mais fiel à rugosidade da vida de perto. É isso, não recusa a amizade entre Valéry e Matisse. Aquele na rotina do viver, que se lê no Alfabeto, seguidor das letras, como se fossem dias, e esse, na admissão do submundo leve e festivo. A sofisticada estratégia da série estaria em preparar os elementos da ação, sem uma entrega reconhecível. Um quase palco para uma quase platéia. Uma quase iluminação para um quase afluente. Uma quase flor para um quase luto. O mérito se realizaria em sustentar o eterno reconhecimento de rostos nas nuvens. Sem oferecer a realidade de qualquer cena. A beleza seria a de sugerir a chegada de um drama sempre ausente.

8. Ele sentiu nunca ter completado o pretendido a ponto de poder se livrar do plano. Ela / por sua vez / fora tragada pelos dias, como acontece a todos. Até então atendera que terminaria a tempo de retornar o presente. Restou apenas a certeza de que nutrira naquelas pinturas a paciência como uma espécie de âmbar. Ainda mais do que uma jóia ou do que uma gema. Se não resistente a tudo, pelo menos um fóssil do que fora uma importante linha imaginária, um ardil útil para encontrar o caminho de casa.

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Cesar Kiraly é curador do Ibeu. Ensina Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da UFF.