17 setembro 2009

2009 | Rita Manhães - Impuro Jardim

Rita Manhães - Impuro Jardim
(04 de março a 03 de abril de 2009)


RELEASE

Rita Manhães apresenta Impuro jardim, mostra individual de pinturas com telas em grandes formatos (em média 200 x 200cm), todas de 2008, feitas em tinta acrílica, óleo, esmalte sintético e colagem sobre lona tratada.


O título da mostra remete à complexidade e possível indistinção dos dois focos dominantes nas telas de Rita Manhães: de um lado a paisagem do Rio de Janeiro e suas conotações (sociológicas e mitológicas); do outro lado, a desinibição necessária da arte contemporânea (uma percepção simultânea entre figuração e abstração, o uso de materiais e procedimentos do mundo atual).

Rita Manhães exibe noções divergentes de pintura, do ostensivamente figurativo ao ostensivamente abstrato, do gráfico ao matérico e do textual ao formal. Buscando a ambivalência ou uma dupla validade, Rita emite a consciência da arte de hoje (a sobrecarga do seu legado histórico) e de seus desdobramentos experimentais (a coexistência e contaminação de repertórios, meios e efeitos).

A crítica de arte e membro da Comissão Cultural do IBEU, Mirian de Carvalho, diz na apresentação da mostra: Amplo e complexo é o universo da arte hoje. Sua conceituação tem sido rodeada de equívocos porque a arte contemporânea não se reduz a instalações nem a expressões objetuais e virtuais, dentre outras vertentes similares. Porém, é possível observar-se que a contemporaneidade de tais linguagens pode ser abordada do ponto de vista do espaço, que, dentre outros aspectos, revela-se autônomo, adimensional e, por vezes, virtual. Entanto, tais “qualidades” espaciais podem igualmente ser encontradas numa pintura que, sem conotações narrativas, se faz contemporânea. Sob esse aspecto, ressaltamos o trabalho de Rita Manhães. Recorrendo ao encantatório, a pintora reúne o figurativo e o abstrato para criar espaços em esquiva da representação. Rita cria áreas de colorido que ultrapassam a “bidimensionalidade” pictórica para fundar espaços-entre e espaços-além. Trata-se de espaços não mensuráveis que não se limitam ao suporte, e assim tangenciam o virtual e o conceitual. Numa interpretação poética, pode ser dito que a pintora busca nas cores o universo do homem contemporâneo.


FOTOS INAUGURAÇÃO