24 agosto 2015

Raquel Versieux - Antes da última queima



A galeria de arte do IBEU convida para a individual de Raquel Versieux. Nesta, ela acrescenta esculturas tubulares que passam a fazer companhia à coluna do espaço expositivo. Como se pode desconfiar, como uma pedra da Gávea, a coluna já estava lá, a questão é explorar uma outra solução à presença que não apenas ignorar ou destruir. Ignorar é muito comum e destruir é imprudente, posto que não se trata de uma coluna qualquer, mas uma de sustentação. As grandes esculturas de carvão e gesso se disfarçam à imagem do sólido irremovível, de modo mais orgânico do que uma simples casa construída em volta de uma árvore. Uma estranha máquina abstrata começa a operar. Daí este vértice, que atravessa e serve de esqueleto a todo o edifício, passa a servir de índice analógico a percorrer o mundo. Sim, por sua ereção, mas sobretudo pela quase interminável previsibilidade de combustão dos materiais. Na pilha de pneus ou nas faltas do acostamento etc. O concreto, resolvido que é em si mesmo, lembra-se das matérias imaturas como o carvão e a borracha a sempre preverem uma próxima queima. ‘Antes da Última Queima’ nomeia esta individual.

(por Cesar Kiraly)