Encenação menor - Kammal João


Artista que expôs no Salão Novíssimos 2016, Kammal João retorna à Galeria IBEU com individual de mais de 70 desenhos

Abertura: dia 9/10, às 18h30

Kammal João retorna à Galeria IBEU com série de desenhos que funcionam como extensões do seu processo criativo nos cadernos, enfileirados por toda extensão do espaço. Sob curadoria de Cesar Kiraly, foram reunidos cerca de 70 desenhos na individual “encenação menor”, separados em três séries: Angústia de Umbigo, Carta de Navegação e Pequena Dança. Definidas pelo artista como um trabalho processual, elas podem ser distinguidas pela escala de interioridade. A primeira se mantém entre quatro paredes. É feita de móveis, cantos em que se pode parar e olhar e nela as interrogações escritas são mais presentes. A segunda é uma carta de navegação sobre a natureza humana. É a mais complexa conceitualmente e a mais econômica. Basta-lhe a finura do traço e serpentinas brancas representando dinâmicas orgânicas. Na última estão os objetos, como panelas e aparelhos de jantar dificilmente removidos dos armários, associados como disparadores existenciais. Nesta, Kammal se permite algum humor declarado, principalmente nos ruídos entre palavra e figura.    

O choque entre as linguagens distintas, o que acontece ao serem colocadas juntas no mesmo espaço gerou curiosidade no próprio artista.

“Nesta Encenação, Kammal João apresenta três sequências de desenhos, distintos e complementares, em que a delicada combinação de materiais oscila entre a aquarela, traços finos de nanquim e momentos de guache. Se as cores são mais presentes, elas são aguadas, deslizantes. Se não, são dependentes de imensos pedaços de alvura para compor. É importante não deixar de falar da cor, de começar por ela. Ainda mais em situações em que a temporalidade notacional é tão explícita. É pela cor que se pode acompanhar a aliança entre a densidade existencial e a inscrição adequada. As questões existenciais costumam ser acompanhadas de sentimento de urgência. Kammal preserva essa dimensão ao sugerir o deslocamento, nas folhas, nas dobras. Ele usa materiais de quem tem pressa, de quem quer leveza para se mover”, analisa o curador, Cesar Kiraly.