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Somente o acaso tem voz - Henrique de França

 


Galeria de Arte Ibeu convida para a inauguração das exposições individuais simultâneas “Somente o acaso tem voz”, do paulista Henrique de França, e “Primeiras visões das coisas”, de Renata Nassur, paranaense radicada no Rio de Janeiro, ambas as mostras com curadoria do escritor e artista visual Jozias Benedicto.


Em “Somente o Acaso Tem Voz" o artista Henrique de França apresenta 6 pinturas em óleo sobre tela e 3 desenhos em lápis sobre papel, onde o acaso desempenha um papel preponderante no processo de construção das obras. O artista trabalha a partir de imagens de fotografias antigas de álbuns de família, isolando elementos de diferentes fontes, de tempos e lugares diversos, e os recombina em novas imagens, em novas narrativas. Estas imagens são trabalhadas em delicadas pinturas ou em desenhos nos quais o artista explora vazios, espaços negativos e interrupções. Para Henrique, “o momento retratado busca ser o frame intermediário de algo que acabou de acontecer ou está para acontecer”. Com isto, as obras envolvem o espectador em um estranhamento no sentido em que Freud descreve, o Unheimliche, que significa algo que deveria permanecer secreto, oculto, mas apareceu. As pinturas são finalizadas com uma camada de tinta azul, como um “véu transparente”, o que faz referência à História da Arte – dos mantos das Virgens do Renascimento ao azul de Yves Klein – e também exacerbando no espectador este estranhamento. Sobre os trabalhos de Henrique, declara o curador: “É como se os trabalhos do artista também estivessem vivos e nos convidando a viajar em seus mundos, nos propondo diálogos infindáveis.” 


Abertura para convidados: 13 de junho, das 18h às 21h30 

RSVP | Retire seu convite no Sympla:

Visitação: 14/06 a 05/07
Horário de funcionamento: de segunda a quinta, de 13h às 19h; sextas, de 12h às 18h.


Galeria de Arte Ibeu 
Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico


Texto crítico de Jozias Benedicto para a exposição "Para sempre até"


O todo: a floresta, o planeta, o universo. Os pedaços: as árvores, as folhas, flores e pequenos frutos, as sementes. Os fragmentos caem e formam tapetes de matéria orgânica, alimento para o solo. Respire fundo, entre na floresta, se perca nela, olhe para o alto: uma réstea do céu entre as copas das árvores. Sinta o calor do sol filtrado pelas camadas e camadas de galhos, ramos, arbustos, ninhos de pássaros, trepadeiras, bromélias, orquídeas. Olhe para baixo, veja os pequenos pedaços. Fique de joelhos, cheire a terra, as folhas, os pedaços que se dissolvem em umidade, sustento para o solo e para as raízes, seiva que sobe pelas árvores até chegar ao sol. A luz e a penumbra, as noites plenas de respirações e mistérios.

Se o mundo cair em pedaços…


Em 2019, as artistas visuais Cláudia Tavares e Renata Cruz participaram de uma residência artística na Vila de Paranapiacaba, São Paulo, no topo da Serra do Mar, em plena Mata Atlântica. A imersão na floresta, a sensação da perenidade do ecossistema e da regularidade de seus ciclos, mesmo sob a ameaça crescente do homem-civilizado-predador. As leituras e conversas, a vivência e o fazer artístico sempre renovado no registro das experiências – Renata com desenhos e aquarelas, com palavras e colagens, com instalações; Cláudia utilizando-se da fotografia, do vídeo e da apropriação de elementos da natureza – serviram de régua e compasso para a elaboração deste projeto selecionado pela Galeria Ibeu em 2020.

“O mundo cai em pedaços, mas só aos pedaços se constrói algo”, o poema da escritora uruguaia Cristina Peri Rossi descreve o fazer das artistas, inventando um novo mundo com suas memórias e seus registros da floresta.


Os desenhos de Renata saltam das paredes e se unem, arquitetando pelo espaço expositivo, “árvores”, entre as quais o espectador pode passear e fazer suas descobertas. As fotografias e objetos de Cláudia se espalham pelas paredes e o chão, como corpos celestes ancorados a um horizonte de palavras, os “até”.

Com sensibilidade e esmero, as artistas nos trouxeram de sua vivência na Mata Atlântica um mundo que respira, vivo, no espaço da galeria – e é interessante lembrar que a galeria fica a uma pequena caminhada de trilhas que nos levam à Floresta da Tijuca, a terceira maior floresta urbana do mundo – e que foi totalmente reconstruída no século XIX, após ser destruída pela exploração agrícola sem planejamento.

Talvez ainda seja possível?, as artistas nos perguntam e nos desafiam: a partir destes fragmentos trazidos da Floresta em suas bagagens e em suas memórias e que “teceram na relação”, na vivência – que cada um de nós possa (re)construir o todo, a floresta, o planeta, os infinitos universos.


Jozias Benedicto
Escritor, artista visual e curador
Abril de 2024




Para sempre até - Claudia Tavares e Renata Cruz



A exposição “Para sempre até”, das artistas Cláudia Tavares e Renata Cruz, com curadoria de Jozias Benedicto, teve como inspiração uma residência rtística na Vila de Paranapiacaba, São Paulo, no topo da Serra do Mar, em plena Mata Atlântica, que as artistas vivenciaram em 2017. A imersão na floresta, associada às leituras e debates, foram o ponto de partida para a elaboração, pelas artistas, deste projeto que foi selecionado pela Galeria IBEU.


Uma frase da escritora uruguaia Fernanda Trías, “O mundo cai em pedaços, mas só aos pedaços se constrói algo”, descreve a proposta das artistas, inventando, para os visitantes da exposição, um novo mundo com suas memórias e seus registros da floresta. Os desenhos de Renata, de sua série “Para sempre um dia”, saltam das paredes e se unem, arquitetando “árvores”, criando caminhos entre os quais o espectador pode passear e fazer suas descobertas. As fotografias e os objetos que Cláudia recolhe e ressignifica se espalham pelas paredes, como corpos celestes ancorados a um horizonte de palavras, os “até”.

Com sensibilidade e esmero, as artistas nos convidam a entrar neste mundo que construíram e que respira, vivo, no espaço expositivo - e é interessante lembrar que a galeria fica a uma pequena caminhada de trilhas que nos levam à Floresta da Tijuca, a terceira maior floresta urbana do mundo.


Serviço :
“Para sempre até” - Exposição individual simultânea das artistas Cláudia Tavares e Renata Cruz
Curadoria: Jozias Benedicto
Galeria Ibeu - Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico, RJ
Abertura para convidados: 8 de maio, das 18h às 21h

Visitação: 9 a 31 de maio de 2024
Horário de visitação: segunda a quinta, de 13h às 19h; sextas, de 12h às 18h.
Entrada franca - sem restrição de idade