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Texto de Cesar Kiraly para a individual "No campo das beterradas", de Mario Camargo

1. Uma linha traçada com terra avolumada, depois um sem números de pequenos buracos, para um campo de beterrabas só faltam as sementes. Ainda que demorasse muito, mesmo sem plantar, não seria possível um broto? Os pássaros, o vento, a explosão do celeiro? São tantos os caminhos para tê-lo, quase perco o fôlego. Pensando assim é quase um absurdo não multiplicar as linhas pacientes à germinação.

2. Esther Emílio Carlos, incansável, dona de uma belíssima coleção, não dividia o quarto de dormir com obras de arte. A lida contínua faz redobrar à vigília aos estímulos nos instantes antes de dormir. Apenas um trabalho antecedia o sono, uma tela do Mario Camargo. Não é o Mario de hoje, claro, não havia ainda o desafio do material a levá-lo do epílogo moderno ao prólogo da abstração contemporânea. Algo, porém, já estava lá, Esther o sabia, como só olhos escondidos detrás de imensos óculos escuros o sabem, ao invés de ser colonizada em figuras explícitas, deixava sua imaginação plantar sobre o branco.

3. A abstração na arte contemporânea não é a moderna. Não naquela conhecida pretensão da semântica abstrata: pureza, elegância, funcionalidade, concretude, finalidade e afeto. As anomalias sempre guardam surpresas. É o campo das beterrabas. Não há política explícita. A inscrição social não lhe infla a leitura. Ela não diz as alianças. Além do que, interpretá-la como se quer, de acordo com os olhos de quem vê, é tomá-la muito por baixo, mas isso não significa dizer que é um sólido que se impõe sobre a realidade. Ela pertence à terra em sua dupla acepção. É especial, a abstração, nesse novo ambiente, porque não é capaz de recusar a sua impureza e, de um jeito único no contemporâneo, dissimula as procedências das matérias que usa para compor, numa eficiência vedada às demais formas de representar. A dissimulação da procedência também vale para o artista, ele não precisa, se de corpo abstrato, do vínculo natural com o assunto que aborda, ora, não é imperioso ser do campo para esperar beterrabas. Apesar disso, há sempre um objeto, uma vivência representada, cuja identificação é esquecida ou omitida, a imagem é sempre a parte falseada de alguma coisa de uma genealogia que não se dá à prova.

4. No Mario, o desejo pela impureza, pela solidão dos números primos, vivido no emprego da costura e na escolha do material, faz com que a pintura, sobretudo nos brancos, cujos volumes são obtidos pela junção das partes, pelas dobras, sirva para consolidar objeto, ele mesmo abstrato. Não é tanto pintura abstrata, quanto de descaracterização do mundano. A cor não é mobilizada na lógica do pigmento, mas do tingimento, a integridade da costura é protagonista até o último momento, sendo a separação das partes um recurso, se, somente se, a despeito de todos os esforços em contrário, a coloração se impuser como mancha que se sobrepõe à poética do acidente calculado.

5. O contemporâneo é ansioso e prefere o depósito de legumes nascidos, colhidos sei lá onde, se cênicos, feitos sei lá por quem, ao campo imaginativo preparado à germinação. Por isso não se dever descurar desta nova prática abstrata, ela não é para ser completada arbitrariamente, tal como seria ao se levar uma beterraba nascida ao campo preparado. Há complexidade mínima da qual não se pode poupar quem experimenta as obras de arte, ou assemelhadas, que é anterior à vontade de ver o que se quer. O campo precisa ser imagem sem que haja qualquer folha ou caule vermelho. As manchas vermelhas estão crescendo na terra, suculentas, açucaradas, misturadas à terra, assimétricas em suas muitas raízes a lhe prolongarem o corpo, com todo o poder de subtrair ao solo, uma intensa potência de fazer tingir, que os olhos não veem, mas está deles diante.

6. Não são telas, não há molduras, nem esculturas, são entomologicamente alfinetadas às paredes, há como ver que as partes das quais são feitas oscilam em origem, mais chegam à mão do artista do que o contrário, as costuras pouco têm de sutura, nem sempre o que costuram precisa ser costurado, apesar da feminilidade da linha e agulha, trata-se do uso não funcional da indústria e do trabalho, mais do que o carinho com o pano da roupa. Se o mundo não se tornar apenas um campo de beterrabas, arruinando a poética, é de tal endereçamento indeterminado que nasce sua beleza, porque é preciso sentir, na obra, as topografias sendo contornadas, aceitas, até certo ponto, o estabelecimento de sequências harmônicas que, depois, interrompidas, são retomadas, como numa frase cheia de apostos. Os tubérculos brotam, outras imagens germinam junto, concorrentes, mas elas não são arbitrárias, habitam o contexto, como ervas daninha. É um sonho, sim, no qual as acepções vizinhas tornam as demais fascinantes, não se esquivando delas.

7. Pasolini, em um ensaio publicado no seu Escritos Corsários, escreve sobre a modificação industrial da paisagem italiana sendo capaz de extinguir a população dos vaga-lumes. As pessoas mais novas, mesmo há época, o escrito é dos anos 70, só saberiam dos insetos iluminadores a partir de relatos. É parecido entre nós. Ele usa o exemplo como analogia ao tão lamentável quanto desaparecimento de formas de sociabilidade e práticas dialetais do idioma, como o seu próprio friulano, destruídos pelo monopólio do consumismo sobre os demais valores. Didi-Huberman, por sua vez, resgata o texto, fornecendo-lhe complemento esperançoso, certo do vaga-lume, na qualidade de metáfora do futuro, ser indestrutível. A metáfora do vaga-lume não é um vaga-lume, depois que morre, não existe mais, se calhar, nem como figura de linguagem é capaz de levantar voo. No Campo das Beterrabas serve na leitura. Há algo a se esperar dele. A abstração, se praticada impura, provoca a imaginação a descobrir as alternativas. Mas não brotarão vaga-lumes.


Cesar Kiraly é curador da Galeria IBEU desde 2015, além de professor de Estética e Teoria Política à UFF.


[...] houve, não há mais [...] o quê? [...] vaga-lumes, na Itália [...] antes tinha? [...] sim, até meados dos anos sessenta, depois da guerra, as noites eram escuras, repletas de pontos luminosos, lê-se no Pasolini [...] é a energia elétrica, eles estão lá, só não vemos [...] não estão, as luzes se apagam, não sobrou nenhum, mesmo longe das cidades [...] isso quer dizer alguma coisa [...] é uma metáfora, Didi-Huberman diz que ela não morre [...] se der sorte, por aqui, ainda se encontra [...] uma metáfora? [...] é disso que trata No Campo das Beterrabas? [...] à espera do nascimento de vaga-lumes na terra? [...] uma metáfora não garante sobrevida ao que se quer que persista existindo [...] é sobre beterrabas e não é, ao mesmo tempo [...] é sobre olhar o branco, cultivado, em materiais escolhidos, sempre diferentes, aproximados pela linha de costura, dobrados por ela, contornando dificuldades, incitando as imagens a serem vistas germinativas, sobre e debaixo, mas nem arbitrárias, nem invisíveis, potencialmente capazes de imprimir manchas doces [...] avermelhadas, luminescentes [...]


(Cesar Kiraly)


No campo das beterrabas - Mario Camargo

 



Foi um longo período de espera para Mario Camargo, que teve a individual adiada quando a crise pandêmica impôs suas normas, fazendo com que os estabelecimentos fechassem as portas ao público. Dois anos depois, o artista irá inaugurar a primeira exposição inédita da Galeria de Arte Ibeu, no Jardim Botânico, desde o início da pandemia: “No Campo das Beterrabas” abre no dia 9 de novembro, às 17h, sob curadoria de Cesar Kiraly. Na ocasião, o Coral do Ibeu, apresentará algumas canções de seu repertório, às 19h.

Os trabalhos surgem como peles nas paredes, sustentadas por agulhas. Em cerca de dez obras apresentadas, a tinta será a substituída pela costura industrial. Movimentos de encolhimentos e franzidos surgirão e substituirão a cor, de forma pictórica, deixando à mostra uma infinidade de buracos e rasgos, tais como arados, representados pelas costuras industriais, onde só faltam as sementes germinarem para revelar, futuramente as cores.

“São tantos os caminhos para esta germinação que quase perdermos o fôlego. A cor não é mobilizada na lógica dos pigmentos, mas do tingimento; a integridade da costura é a protagonista até o último momento. A despeito de todos esforços, a coloração não se sobrepõe à poética do acidente costurado e a abstração se pratica impura, provocando a imaginação a descobrir alternativas”, revela o artista Mario Camargo.

Como quase todas as crianças, Mario Camargo demonstrou, desde sempre, interesse pelo desenho. Por convite de uma amiga pintora, fez sua primeira exposição e nunca mais parou. Esther Emílio Carlos, crítica de arte do Ibeu, se apaixonou pelo seu trabalho e abriu várias portas: ele chegou a expor em Santiago do Chile e depois em Paris. Quando participou da feira de arte MAC 2000, em Paris, foi o único brasileiro presente entre 100 artistas franceses. Chamou atenção neste evento sua forma de pintar, executada diretamente no chão, ao sol, usando tinta acrílica líquida. Mario interrompia a secagem com jato d’água e, neste processo de busca quase arqueológica, criava suas obras. Na ocasião, Pierre Restany, crítico de arte francês, profetizou: “você abandonará os chassis e sua pintura se tornará a pele das paredes”. Durante anos o artista conviveu com estas palavras, que se tornaram realidade há pouco tempo.

A exposição nas palavras do curador “Não são telas, não há molduras, nem esculturas, são entomologicamente presas por agulhas às paredes, há como ver que as partes das quais são feitas oscilam em origem, mais chegam à mão do artista do que o contrário, as costuras pouco têm de sutura, nem sempre o que costuram precisa ser costurado, apesar da feminilidade da linha e agulha, trata-se do uso não funcional da indústria e do trabalho, mais do que o carinho com o pano da roupa. Se o mundo não se tornar apenas um campo de beterrabas, arruinando a poética, é de tal endereçamento indeterminado que nasce sua beleza, porque é preciso sentir, na obra, as topografias sendo contornadas, aceitas, até certo ponto, o estabelecimento de sequências harmônicas que, depois, interrompidas, são retomadas, como numa frase cheia de apostos. Os tubérculos brotam, outras imagens germinam junto, concorrentes, mas elas não são arbitrárias, habitam o contexto, como ervas daninha. É um sonho, sim, no qual as acepções vizinhas tornam as demais fascinantes, não se esquivando delas”. Cesar Kiraly é curador da Galeria de Arte Ibeu desde 2015, além de professor de Estética e Teoria Política da UFF.


NO CAMPO DAS BETERRABAS 
Abertura: 9 de novembro de 2022, das 17h às 20h
Visitação: de 10 de novembro a 22 de dezembro de 2022
Funcionamento: quartas e quintas, das 13h às 19h; sextas, das 12h às às 18h
Local: Galeria de Arte Ibeu
Endereço: Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico –RJ
Entrada gratuita

Informações à imprensa sobre a exposição: BriefCom Assessoria de Comunicação - Bia Sampaio: +55 21 98181-8351/biasampaio@briefcom.com.br

A arte de sobreviver a um naufrágio | Por Cesar Kiraly

 


é inegável que se encontram mais ausências, muito embora a quantidade de imagens e objetos [...] são traços e pontilhados que transformam a fragilidade albina da parede ao fundo [...] as embarcações estão pela metade [...] o encobrimento [...] a parte debaixo é que faz delas naufrágios [...] não pertencem a um tempo específico [...] desde quando se flutua, afunda-se [...] o oxidante na gravura funciona como cumplicidade do efeito prolongado das ondas que se influenciam [...] a nenhuma pessoa é dado relatar ter experimentado um naufrágio até o fim [...] o fim do oxigênio é como a ausência [...] o náufrago cola imagens para completar o que lhe falta [...] primeiro o movimento invade e depois retorna abandonando conchas [...] no papel são preservadas memórias que se dissolvem na água salgada [...] todos confirmavam que os cabelos pertenciam [...] nem mulher, nem homem [...] as memórias assistem a ousadia do oceano em avançar aos poucos para apagá-las, disso extraem força [...] amigos, um furo [...] não, nunca aprendera a nadar [...] entretanto, sobrevivera [...]



1. A partir do séc. XVIII, mais especificamente, desde o momento em que Diderot começou a se dedicar a escrever sobre os Salões de Paris, para ser lido pelos nobres impossibilitados de fazerem a viagem para verem com os próprios olhos, a arte teve sua trajetória misturada a do texto. O cético Diderot compunha suas linhas descrevendo as obras de arte, os estilos dos artistas, os artistas, o público, toda a cena da arte. Restava clara, aos olhos dele, a natureza eminentemente social da obra de arte. A arte contemporânea amplifica esta dependência, inclusive, em trabalhos que nem mesmo existem fisicamente. As obras não são simplesmente objetos, nem, tão somente, intuições acerca do modo de representar, mas acontecimentos que servem de índice ao efeito que produzem no mundo, o contágio exercido sobre as opiniões, mais tudo aquilo que se escreve sobre, e que antecipa, de certa forma, o lugar a ser ocupado pelos novos eventos. A obra, principalmente a contemporânea, por causa mesmo do esforço de Diderot, é uma cena imersiva. Os gregos, por sua vez, dispunham de uma palavra para denotar prática remissível à inventada por Diderot. O termo Ekphrasis abrange a descrição de objetos artísticos, até mesmo prevê a invenção literária de obras visuais, antecipa a redução da distância entre a imagem e o texto, mas ainda apresenta concepção isolada da obra e não entende a vida interna dos envolvidos, muito menos a daquele que escreve, como fazendo parte dela. Por outro lado, apesar das imensas dificuldades enfrentadas por Diderot, ele contou com a facilidade de não ter de inventar o gênero literário no qual se expressaria, mas adaptá-lo. Montaigne havia desenvolvido a forma de escrever, que se mostraria um gênero literário, mas também um tipo de filosofia cética, usada por Diderot para falar de arte, desde si mesmo, da sua intimidade, ainda que dissimulada, o ensaio.


2. No ensaio Diderot encontrou os limites e as amplitudes para comentar sobre as pessoas que visitam salões para verem a si mesmas retratadas direta ou indiretamente. O modo como assistem a si próprias ao julgarem a semelhança entre os retratos e os retratados ou mesmo aos aristocratas, a depender da aura manifesta em seus rostos representados. O ensaio serve a Diderot para lamentar que o assombro a ser provocado pela arte seja constrangido por tal sorte de expediente fútil. Afinal, a experiência artística, justamente ao provocar o texto, faz entrever o quão longe pode ser levada. Por isso, essa forma de escrever se tornou tão adaptada a criticar, chegando, até, a ser denominada, simplesmente, de crítica. Isso porque o escritor percebe que, ao ser levado a escrever sobre a obra, ao não conseguir mais se desviar de fazê-lo, de tê-la como seu mundo todo, recebe a evidência de que pode esperar que esta realize o que ele, internamente, é incapaz de fazer, ser sempre mais do que si mesma, cada vez mais lúcida, cada vez menos cruel no exercício dessa lucidez. O ensaio sobre arte dá a perceber a incapacidade da arte, as suas limitações, sim, mas também que essas falhas são sempre pontuais e aparecem porque quem escreve sabe que não é muito esperar ainda mais dela, tal certeza, na lida com a obra, é a marca mesma da possibilidade da superação. É nesse sentido que se pode dizer pela natureza textual da obra de arte.


3. Aqueles a quem é dado persistir na escrita inaugurada por Montaigne e dedicada, por Diderot, ao acontecimento artístico, assistiram à interrupção inédita, não só dos salões, cujo prestígio oscila, em virtude de outras formas de se fazer conhecido do público, mas de quase toda a atividade expositiva. Isso se deveu à pandemia provocada por um vírus mortal e foi uma forma de amenizar os contágios. O IBEU, que hoje comemora 85 anos, foi obrigado, como o mundo todo, a fechar a sua Galeria de Arte. Ela fechou abrigando uma exposição cujo tema, ironicamente pensado pelo destino, é o naufrágio. A galeria, pelo que tudo indica, ficou lá, sozinha, até agora, com esses objetos, que ninguém pode ver. Coube, então, de modo imprevisto, ao Márcio Diegues, a exposição mais longa de um espaço expositivo, tradicionalíssimo, que conta com mais de 60 anos. O artista mesmo concordou que seria importante deixar tudo lá, sem mexer em nada. Inclusive, tendo, em uma das paredes, um imenso desenho, feito de nanquim, de uma onda a sugerir a inundação de dentro para fora, de dentro da galeria, depois, tomando o lado de fora, como se o desastre tivesse começado ali e não em Wuhan. Não seria estranho ver no mesmo desenho algo como uma mortífera nuvem bíblica de gafanhotos. Tendo como último título ‘Como Sobreviver a um Naufrágio’ fomos instados a fugir do espaço para salvar as nossas vidas, imaginando que, sendo o futuro incerto, na pior das hipóteses, a posteridade reencontraria aquela exposição, com relação a qual, no passado, havíamos lamentado a hora de finalmente apagar o mural, quem sabe com o uso de escafandristas.


4. Como se comportaria Diderot na pandemia? A peste negra é anterior aos salões e às galerias de arte, e a gripe espanhola, apesar de devastadora, não contava com uma humanidade capaz de bem controlar o deslocamento das suas populações ou excelentes prognósticos de criação de vacinas, logo, não provocou o fechamento dos espaços públicos e o confinamento das pessoas em casa. O cético escreveria sobre os negacionistas não gostarem de arte ou sobre os alarmistas não gostarem de negacionistas que não gostam de arte? Sobre o desespero dos artistas em não serem esquecidos? A adesão confusa aos mais variados espectros da ideologia política, para receberem alguma simpatia a partir do pertencimento? Ou ele surpreenderia com o silêncio? Como dar a entender o impacto da retração do espaço público, causado pela pandemia, pelas novas tecnologias de comunicação, no mundo da arte, ainda mais deformado pela incrível desigualdade entre as instituições culturais para retornarem às suas atividades? As instituições mais ricas voltaram antes, com mais segurança, isoladas e soberanas, além de terem inventado as melhores, e sedutoras, plataformas virtuais. O cético se esforçaria para mostrar a contradição entre o discurso de integração dos grupos politicamente mais vulneráveis, como indígenas e transexuais, a partir do trabalho como artistas, curadores e funcionários, tanto pelo mercado, quanto pelas principais instituições culturais, e a relação de trabalho cada vez mais precária, obrigando o seu pessoal a se estabelecer juridicamente como empresário para não precisar recolher encargos sociais e trabalhistas? A inserção de novas fisionomias precisa ser combinada com a piora da vida de todo mundo que depende do trabalho? Como dar a entender a captura dos melhores valores pelos processos históricos mais nefastos? Será que Diderot seria bem-sucedido na tarefa de descrever a arte contemporânea, nesta cena tão repleta de sutilezas? Seria ele capaz de mostrar o potencial dela, apesar de tudo, de se contrapor ao extremismo e revigorar a vida comum?



5. A escrita sobre arte se mistura às obras e as compõem. Teria Diderot sentido simpatia pelo modo como se agregam tendências políticas díspares, dando voz a estéticas transgressoras? Aprovaria ele o ardil relacional para viabilizar as luzes? Ora, não era ele mesmo esperançoso de abrir os olhos da Catarina II para o respeito às liberdades? Como receberia a cumplicidade cada vez maior entre o mercado e o discurso universitário? O que diria sobre a obsolescência do gênero que ajudou a criar com a sua triste substituição pelos textos explicativos ou de contextualização histórica? Imagino que fosse gostar de conhecer o Grupo Frente e artistas agudamente conceituais como José Damasceno e Bianca Madruga. Consigo vê-lo vestido com roupas modernas, de máscara, munido de comprovante de vacinação, com frio, diante da frase de Antonio Gramsci, reproduzida em verde, como letreiro, por Alfredo Jaar, com letras parecidas ao “Eu é Uma” da Agrippina Manhattan: “O velho mundo está morrendo. O novo demora a nascer. Nesse claro-escuro, surgem os monstros”. Penso que a tomaria como imprudente, não pelo fato de os monstros surgirem no claro-escuro, mas por dar a entender a existência de um estado que não o claro-escuro. Ora, suponho que o cético pensaria que estamos sempre entre um mundo que morreu e outro que nasce.


6. Houve um tempo, não muito distante, na América Latina, sobretudo, em que alguns grupos eram isolados do poder político e dele só sofriam o efeito. Nessa época, críticos, como Mario Pedrosa, repreendiam a falta de politicidade da arte brasileira. Nela faltava a disposição de estabelecer meios para que o poder pudesse ser melhor distribuído, nem que fosse, como na sua defesa dos trabalhos dos pacientes, da Nise da Silveira, expostos no IBEU, pela Esther Emilio Carlos, em momentos diferentes, simplesmente o poder de existir sem ser desejado. Ainda hoje, a capacidade de produzir efeitos políticos, para o bem e para o mal, ainda é bastante desigual, mas não tanto, inclusive, na arte contemporânea. Um dos marcadores, por exemplo, é a impossibilidade de se falar de obra de arte contemporânea sem que a interpelação pela identidade componha o estatuto da obra de arte. A frase de efeito que aponta a inevitabilidade da política em todo ato estético, contudo, já pode ser interpretada de modo menos ingênuo. Se a tão desejada convergência entre estética e ética é, no mais das vezes, bem-intencionada, talvez seja o caso, em certos momentos, de nos esforçarmos pela menor politicidade possível do ato estético, pelo menos nos seus momentos de ofensividade. Afinal, na política alguém é sempre, mesmo que devidamente, mormente, indevidamente, posto a sofrer.


7. Ainda no séc. XVIII um outro cético ensaísta escreve um ensaio de título A Arte de Escrever Ensaios. Ele não diz nada sobre como escrever ensaios. Na verdade, trata-se mais de incentivar que estes sejam escritos e o faz a partir de um modo de vida que vê como preferível. Há o mundo dos intelectuais que não convivem com ninguém e o das pessoas que convivem, mas não querem pensar. Claro, há também o das que nem leem ou pensam e nem convivem, mas essas são almas perdidas. Hume acredita que o mundo do ensaio é aquele em que os pensadores falam com as demais pessoas, frequentam as ruas em que a vida acontece, e todo mundo se interessa pelo que se pensa, menos para ser convencidas, porque uma conversa em que o interlocutor quer convencer é demais aborrecida, mas por que há um prazer em lidar com ideias diferentes. Trata-se de uma maneira de viver em que o naufrágio é sentido como um peso, algo ruim, porque, apesar da aventura, nos priva do outro. O ensaio é a vida para a qual se quer voltar.


8. Márcio nos mostrava como um naufrágio seria interessante e como precisaríamos fazer para a ele sobreviver. Até que fomos surpreendidos pelo acidente e não tínhamos pista do que fazer. A sobrevivência se deveu menos a saber o procedimento correto e mais ao acaso somado a alguma prudência. Havia o tempo a passar entre o naufrágio e o retorno a uma vida de ensaios, mesmo tão precária. Primeiro, desejar retornar ao estímulo aos bons espaços de convivência era uma motivação, mas apenas se não se a tomasse como uma finalidade, porque podia muito bem não acontecer, demorar demais, sendo, então, mais causa de desespero do que de qualquer outra coisa. Assim, atravessar implicava a aceitação de olhar o mar como intuição da pura felicidade, como diria Hans Blumenberg. Depois, certo contentamento, não por passar por tudo isso, porém ser testemunha de um tempo histórico relevante. Afinal, não deixa de ter uma beleza trágica, toda aquela madeira submergindo aos poucos, os objetos de uma vida inteira começando a boiar em infinitos tons coloridos, desde que não se pudesse fazer nada para ajudar. Nada mais irônico do que contemplar com interesse uma imagem que se desfaz em outra, sabendo que a perspectiva na qual se encontra também afunda. A quem caberia escrever ensaios se a observação do naufrágio a ser contada é acompanhada por quem, mesmo sabendo que afunda, não pode se dar ao luxo de se sentir visto pelo náufrago que assiste? Esse seria um outro ao qual ensaiar? Como inventar um salão no qual com ele se possa falar?     


Cesar Kiraly é curador da Galeria IBEU e professor de Teoria Política e Estética no Departamento de Ciência Política da UFF. 





Reinauguração da individual "Como sobreviver a um naufrágio", de Márcio Diegues

 

 

Após um longo período sem atividades presenciais, em decorrência dos tempos de pandemia, a Galeria de Arte Ibeu reinaugura o seu espaço de exposições no Jardim Botânico com a individual “Como sobreviver a um naufrágio”, do artista Márcio Diegues. A mostra apresenta um recorte da produção recente de Diegues como também um resgate do projeto expositivo previamente realizado na Galeria Ibeu, em março de 2020, cuja exibição precisou ser interrompida por conta do início do período de lockdown em nosso país. 



Sobre a exposição:

O mar da cidade do Rio de Janeiro foi uma das inspirações da mostra “Como sobreviver a um naufrágio”, composta de desenhos, objetos, gravuras e um desenho instalativo de grande formato. Com curadoria de Cesar Kiraly, a individual é composta de que partilham a experiência do naufrágio, da ruína e da falência mimética como ponto de fissura visual e conceitual com a realidade.

“Uma das coisas importantes na minha produção foi ler uma antologia escrita por um português no século XVII, que é uma coletânea das histórias de naufrágio que acontecem desde o século XV, a partir da ida para as Índias. Nessas histórias, o mais notável eram os afundamentos, como eram violentos e como se perdia uma ideia de planejamento, um objetivo a cumprir.”, explica o artista.    

A partir desses relatos, Diegues passa a pensar o naufrágio como uma metáfora visual e conceitual, já que não é apenas o corpo físico que afunda, mas também a ideia de um objetivo que não consegue se concluir. Este conceito inspirou o artista a produzir gravuras, cadernos de desenho e a coletar imagens que tinham a ver com a vivência no Rio de Janeiro, buscando o sentido da representação do mar.

“Não represento a água em si, mas a ideia de que todo objeto afunda em um lugar, em uma dimensão. Isso ajuda a entender que o mar é uma dimensão imaginária e isso me ajuda a desenvolver meus trabalhos. Tem também uma ideia contemporânea de o naufrágio ser uma falência de uma superestrutura, que pode ser um barco ou submarino, mas também um objetivo de vida, algo que foi planejado e não deu certo. A ideia de naufrágio também fala de traumas, desse processo de mergulho em si mesmo.”, conclui.

O evento de reinauguração da Galeria de Arte Ibeu acontece no dia 10 de agosto, das 17h às 20h. Na ocasião, às 19h, o público também poderá conhecer o trabalho do Coral do Ibeu, que apresentará algumas canções de seu repertório. 

 

“COMO SOBREVIVER A UM NAUFRÁGIO”
Inauguração: 10 de agosto, de 17h às 20h
Visitação: 11 de agosto a 02 de setembro de 2022

Funcionamento: Quartas e quintas, de 13h às 19h; sextas, de 12h às 18h
Local: Galeria de Arte Ibeu
Endereço: Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico
Tel.: 3239-2863 | Contato: cultural@ibeu.org.br
ENTRADA FRANCA – Uso de máscaras recomendado, porém, não-obrigatório




Sobre o artista: Márcio Diegues (1988-General Salgado, SP) é artista e professor,  pesquisa o desenho como fio condutor de suas relações com a  paisagem e o espaço, desdobrando-o em gravuras, livros de artista,  objetos, instalações, ações de coleta e obras site specific. É graduado  em Artes Visuais pela UEL, Londrina, em 2012, e mestre em  Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ, em 2017. Atualmente reside em Belo Horizonte-MG e é doutorando e professor assistente de desenho no Departamento de Desenho da EBA-UFMG.


Resultado | 1ª Salão de Artes Visuais Galeria Ibeu Online

 

Em conformidade com o Edital do 1° Salão de Artes Visuais Galeria Ibeu Online, a Comissão Cultural do Ibeu comunica ao público o resultado deste processo de seleção.⁣


Com início em 14 de dezembro de 2020, o Salão será realizado em ambiente online, nas plataformas de conteúdo da Galeria Ibeu - a saber, Instagram e Blog - e, posteriormente, publicado em um catálogo virtual em formato pdf.


Conheça o conjunto de artistas selecionados para integrar a programação online da Galeria Ibeu nos meses de dezembro de 2020 a fevereiro de 2021:⁣


A partir de hoje, as postagens relativas ao Salão seguem o seguinte formato de publicação:⁣

📍 Devido ao recesso e feriados de fim de ano, os posts serão publicados diariamente, nas seguintes datas:⁣ de 14 a 18 de dezembro de 2020⁣, e de 4 de janeiro a 5 de fevereiro de 2021.⁣ Não realizaremos postagens nos fins de semana. ⁣

📍 O conteúdo de cada artista selecionado será publicado em uma postagem contendo: álbum de fotos/carrossel (no caso do Instagram), bio/currículo e demais textos e informações que a Comissão Cultural do Ibeu considerar pertinentes.⁣

📍 O conteúdo de cada artista será publicado uma única vez, seguindo a ordem alfabética publicada em nossa lista de selecionados. Caso a Comissão Cultural do Ibeu considere novos formatos de publicação ao longo do Salão, informaremos a alteração e/ou adição em nossas redes sociais.⁣
Nossa equipe entrará em contato com os selecionados para mais informações acerca deste Salão.⁣ Agradecemos a leitura e a visita de todos!⁣

Atenciosamente,⁣
Comissão Cultural, Curadoria e Equipe Ibeu ⁣


1ª edição do Salão de Artes Visuais Galeria Ibeu Online



1ª edição do Salão de Artes Visuais Galeria Ibeu Online tem como objetivo divulgar a produção de artistas brasileiros realizada em 2020, em meio às medidas de prevenção ao contágio pelo novo Coronavírus. 

O Salão abrirá o calendário de exposições da Galeria Ibeu em ambiente totalmente online, sendo realizado nas seguintes plataformas: Instagram (@galeriaibeu) e Blog da Galeria Ibeu (ibeugaleria.blogspot.com).


Da realização do Salão e dos prazos de inscrição:

a) O Salão acontecerá unicamente em ambiente online. Os artistas selecionados terão suas obras apresentadas nas seguintes plataformas:
- Instagram da Galeria de Arte Ibeu (@galeriaibeu)
- Blog da Galeria de Arte Ibeu
- Catálogo virtual (em formato pdf)

b) A inscrição é gratuita e deverá ser feita exclusivamente por meio de email: galeriaibeu2020@gmail.com

c) O edital completo está disponível no blog do Ibeu: ibeugaleria.blogspot.com

d) Prazo de inscrição: de 15 de outubro a 2 de novembro de 2020. 


Da inscrição:

a) Para se inscrever no 1º Salão Online de Artes Visuais da Galeria Ibeu, o artista deverá enviar por email até 5 (cinco) registros fotográficos de obras produzidas em 2020 durante o período da quarentena. Serão aceitos trabalhos em todos os formatos e suportes (desenho, pintura, escultura, objeto, performance, instalação etc), desde que o artista consiga apresentar sua obra através do registro fotográfico.

a.1) Alguns exemplos: um artista que tenha um trabalho instalativo pode enviar até 5 (cinco) imagens contendo vistas e detalhes de sua instalação; já um artista que pretende apresentar um políptico em tela/papel/objetos, pode enviar até 5 (cinco) imagens contendo vistas do trabalho já organizado na parede/no espaço, ou então detalhes das unidades que preferir.

a.2) Caso prefira, o artista poderá enviar 5 (cinco) imagens de trabalhos diferentes. Ou seja: o artista envia cinco imagens, uma para cada trabalho seu, totalizando cinco obras diferentes ao todo (cinco registros de pinturas, ou cinco registros de desenhos, ou registros de cinco objetos/esculturas etc).

b) As 5 (cinco) imagens inscritas deverão ser devidamente identificadas, contendo o nome da(o) artista, título da obra (se houver), data, dimensões, especificações técnicas (material utilizado e técnica) e os devidos créditos fotográficos. Estas informações podem ser enviadas em arquivo Word ou no corpo do email. Não é necessário salvar a Ficha de Inscrição em um arquivo Word; basta adicionar as informações solicitadas no corpo do email.

c) Serão aceitas imagens de obras unicamente em formato jpeg ou png. Lembrando que, como toda a exposição será realizada em ambiente online, os arquivos de imagem deverão ser salvos em formato de exibição RGB, e não CMYK.

d) No caso de inscrições de videoarte, registros de performance ou arte sonora, o artista deverá postar o trabalho em sites de exibição de vídeos, como Vimeo ou YouTube. Caso aprovado, o arquivo em vídeo salvo no Vimeo/Youtube deverá estar em modo público para que consigamos repostá-lo em nosso Blog. Caso a Comissão Cultural do Ibeu também selecione estes trabalhos para exibição no feed do Instagram da Galeria Ibeu, os arquivos deverão ser salvos em formato mp4. e com duração de até 1 minuto. Não postaremos vídeos no IgTV, apenas no feed.

e) Caberá unicamente à Comissão Cultural do Ibeu decidir quantas e quais obras inscritas serão selecionadas para o Salão.

f) Para este formato de Salão Online, não será necessário o envio de portfolio. Ou seja: o artista deverá enviar apenas o conjunto de até 5 (cinco) imagens de seus trabalhos produzidos em 2020. Também é necessário adicionar às cinco imagens o seguinte material: ficha de inscrição (disponível no blog do Ibeu: http://ibeugaleria.blogspot.com), um currículo resumido, um pequeno texto sobre as obras inscritas. 

g) Importante: Ao concordar com a participação no 1º Salão Online de Artes Visuais da Galeria Ibeu, os artistas selecionados comprometem-se a manter o ineditismo das obras inscritas e selecionadas neste Salão, de modo que as mesmas não sejam expostas em outros sites ou exposições durante o período da exposição virtual do Ibeu. O compartilhamento das obras selecionadas no Salão poderá ser feito através de reposts a partir das redes sociais do Ibeu (Instagram e Blog).



FICHA DE INSCRIÇÃO:

Nome do artista:

Email:

Telefone:

Instagram (se houver):

Título e descrição das obras inscritas:



Como sobreviver a um naufrágio | Texto de Cesar Kiraly para individual de Márcio Diegues


1. A surpresa foi percebê-la cada vez menos minha, como se a canção de amor, em seus versos de quase desespero, dissesse respeito, sobretudo, a mim. Há pouco havia me comunicado com ele, sem sabê-lo um possível rival. Hesitante me perguntava se havia problema em se desviar do plano inicial. Ingênuo, respondi que não deveria inibir as suas intuições, elas é que me seriam preciosas. Não é que não me desse conta da intimidade necessária para que houvesse a condição de se ter intuições. Eu queria. Ao conhecê-lo, estavam juntos, diariamente, há quase uma semana. Acredito que tenham sido as tardes que passaram juntos. Era-me impossível ter estado antes, para mediar a aproximação desde o início, no que havia me escrito o quão importante estavam sendo aqueles momentos a sós. Ao encontrá-los, ele estava agachado, inclinado sobre ela, isolado do mundo com os seus fones de ouvido. A minha reação, intimidado, foi não querer interromper, evitar a inconveniência, aquilo que acontecia. Em seguida me ocorreu que ele parecia a conhecer melhor, por isso a impressão de que não estávamos mais tão próximos, tão exclusivamente simbióticos, como há algumas semanas atrás. Por mais humilhante que fosse, ocorriam-me passagens do Pequeno Príncipe, para imaginar a possibilidade dela ser mais dele do que minha, muito embora a mesma, por ter sido, trevas, mais cativado do que eu.

2. Não é bem como a relação entre o mar e o casco do navio, é mais como a do tatuador com a pele do outro, com a diferença de que partia de mim, a princípio, o desejo de que os dois estivessem juntos. A sua superfície estava tomada de pontinhos e traços, nas laterais, estavam mais numerosos, noutras, se mostravam concentrados, passando a atmosfera de uma nuvem mais escura. Seria um clichê dizer que estava irreconhecível, até porque a mais expressiva de suas características, a alvura, estava ali, celebrada. Sim, esta era sua marca. Acrescidos os riscos em nanquim se tornara mais albina do que nunca. Aquela superfície quase nunca tocada pelo sol, constantemente retocada para não ter falhas, nunca tinha sido tão notívaga, tão branca, como depois daqueles encontros. Ela, que pela cor, vira o mar senão de noite, passava então a ser o mar. Márcio lhe acrescentava dobras e quinas, além de a convencer de que mar, onda, era o que tinha sempre sido. Não poderia competir com quem a convencia tão habilmente. O que mais poderia temer?


3. O efeito da persuasão é que ela teve despertada a sua vontade secreta de inundação. A vociferância tinha sido tão bem compreendida, que não ousava, simplesmente, se irradiar de dentro para fora, continuava algo que começava do lado de fora, para se aprofundar dentro. Márcio não só a despertara para ser onda, num esforço de descoberta de identidade, como a surpreendia com a inelutável verdade, de que ser alagamento, onda, mar bravio, seria também não ser, só, e ao mesmo tempo, si mesma, num acidente de perda de personalidade. O mais de si mesma seria se descobrir outra, um Oceano. Apenas assim é que poderia levar à deriva. Se Márcio a acordava à capacidade de fazer submergir, ora, eu mesmo naufragava ao perdê-la. Afinal, não se é possível ter o que é infinitamente mais extenso e agitado. Se não podia mais ser representada, senão pelas suas partes, acidentais, então não mais cabia em lugar nenhum.

4. O relacionamento por Márcio estabelecido, o vínculo de intimidade que o fez, nela, acordar a capacidade de inundação, que a despertou de si própria e de mim, o negativo, nanquim, libertador da positividade, pura, mar, colocou-me, e a tudo mais, em estado de naufrágio. O desamparo é o naufrágio. Como tantos outros náufragos, desamparados, demandei, impetuoso, o que havia nele, que não em mim. Ambos carregávamos, para cima e para baixo, canetas nanquim. Se tinha uma, talvez duas, ele trazia consigo dezenas delas, não só finas, mas de quase todos os tamanhos de ponta. Se tínhamos cadernos, o meu abrigava não mais do que rabiscos ilegíveis, e o dele, maior e solene, comportava diversos formatos de caudas de peixes, uma plêiade de cavalos-marinho, mesmo aquele que remete um pouco a uma planta, traços cartográficos, abissalidades, embarcações, coladas à página, afundadas no vazio, toda sorte de vazio, o duplo do infindo oceano, que agora estava inscrito em seu corpo, mais a aura de conter as memórias de um náufrago vasculhador de analogias. Nisso havia o ponto que pode ter servido à derradeira aproximação, aquilo que tínhamos em comum, mas o perdimento se devia ao fato de que, comparado a ele, como recém afundado, eu não tinha nada. A albina se permitira libertar, enquanto oceano, pelo efeito sedutor da revisitação à deriva.


5. O naufrágio é causado por um furo? Aquele pelo qual a água entra para desfazer, um tanto, a diferença entre o dentro e o fora da embarcação? Não, não, o naufrágio começa na rememoração do acidente. É por isso que não há um náufrago completo, só parcialmente naufragados, e vestígios de naufrágios. Isso porque o verdadeiro afundado é o afogado, este, por razões óbvias, vazio de desemparo. No fim, o que distingue os sobreviventes é o tempo empregado na coleção de vínculos entre os artefatos e a memória. Eu suplicaria à brancura que percebesse que, na verdade, todos inventávamos uma boa parte de nossos naufrágios, ainda que não o fizéssemos como quiséssemos. Ela já não me escutava, tão somente oscilava e começava a emanar uma densa nuvem de sal. Um efeito ferruginoso sobre todas essas imagens que seriam arranhadas em placas de metal, no confuso procedimento de revisitar o evento, aquele, em que, por pouco, quase se afogaram, refazendo-o pelo preenchimento dos espaços vazios e seus aliados. O movimento das ondas se manifestavam como uma alma, um temperamento, marés, inaugurando as janelas de onde se avistavam, como gravuras, embarcações outrora flutuantes. Ela passava a entender que sempre fora a profundidade. A brancura, o albinismo, não, não só isso, mas a ação de sofrimento sobre todos aqueles cascos de navio, ainda um pouco suspensos, parcialmente flutuantes, esperando para desaparecer.   

6. Não era mais minha. No máximo podia crer que a graça das minhas lembranças, dos naufrágios aos quais sobrevivera, derivaria do efeito que havia deixado, as imagens que, soberanamente, resolvera poupar. Márcio o sabia há mais tempo, tão somente a seduzindo a deixar de ser transitiva, para exercer a sua vocação intransitiva, deixando de ser parede, para ser disponibilidade, mar. Esta libertação tornava sem sentido as minhas perguntas sobre por que ele e não eu. Porque partiu dele o estado de nem ele e nem eu. Não era mais possível tê-la.  Se podia, apenas, percebê-la, aumentando, concedendo, que do naufrágio, então, restassem suvenires aos necessitados, àqueles sem a sorte de um completo afogamento. Indicações sobre como sobreviver um pouco mais.


7. O mais da pilastra desbotada seriam suas marcas e as conchas, os mariscos, a corrosão; o mesmo para as embarcações, os cabelos anelados pela umidade, as fotografias e as notas para ajudar na lembrança. A especialidade disso tudo restaria vinculada ao fato de que nada sobrevive para sempre a um naufrágio. Nem mesmo a adorável última fotografia, tantas vezes encontrada e perdida, da criança tão bem vestida de marinheiro. 


Cesar Kiraly é professor de Estética e Teoria Política à UFF. Desde 2015 é Curador da Galeria IBEU. Autor, dentre outros, de Fuga sobre o Branco [ ].

Como sobreviver a um naufrágio - Márcio Diegues


Elementos dos lugares onde já morou influenciam os trabalhos do artista Márcio Diegues, que abre o calendário de exposições da Galeria de Arte Ibeu no dia 3 de março, às 18h30. Morando atualmente no Rio de Janeiro, o mar inspirou a mostra Como sobreviver a um naufrágio, composta de desenhos, objetos tridimensionais, gravuras, um desenho instalativo e livros do próprio artista. Sob curadoria de Cesar Kiraly, a exposição será composta por cerca de 40 trabalhos que, reunidos, partilham a experiência do naufrágio, da ruína e da falência mimética como ponto de fissura visual e conceitual com a realidade.

A mostra é um recorte da produção de Diegues atualmente, com trabalhos que abordam o mar como uma ideia de paisagem, deslocamento, mas que também remete à ideia de afundamento e catástrofe. Os estudos do artista percorrem diferentes representações do mar tradicional na História da Arte e na Ciência, além de abordar questões bélicas, mapas, cartografias e cartas náuticas.

“Uma das coisas importantes na minha produção foi ler uma antologia escrita por um português no século XVII, que é uma coletânea das histórias de naufrágio que acontecem desde o século XV, a partir da ida para as Índias. Nessas histórias, o mais notável eram os afundamentos, como eram violentos e como se perdia uma ideia de planejamento, um objetivo a cumprir.”, explica o artista.  

A partir desses relatos, Diegues passa a pensar o naufrágio como uma metáfora visual e conceitual, já que não é apenas o corpo físico que afunda, mas também a ideia de um objetivo que não consegue se concluir. Este conceito inspirou o artista a produzir gravuras, cadernos de desenho e a coletar imagens que tinham a ver com a vivência no Rio de Janeiro, buscando o sentido da representação do mar.

“Não represento a água em si, mas a ideia de que todo objeto afunda em um lugar, em uma dimensão. Isso ajuda a entender que o mar é uma dimensão imaginária e isso me ajuda a desenvolver meus trabalhos. Tem também uma ideia contemporânea de o naufrágio ser uma falência de uma superestrutura, que pode ser um barco ou submarino, mas também um objetivo de vida, algo que foi planejado e não deu certo. A ideia de naufrágio também fala de traumas, desse processo de mergulho em si mesmo.”, conclui.


COMO SOBREVIVER A UM NAUFRÁGIO
Abertura: 3 de março, às 18h30
Visitação: 4 de março a 3 de abril de 2020
Funcionamento: segunda a quinta-feira, das 13h às 19h (às sextas, de 12h às 18h)

Local: Galeria de Arte Ibeu
Endereço: Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico
Tel.: 3239-2863


SOBRE MÁRCIO DIEGUES
É artista e professor, pesquisa o desenho como fio condutor de suas relações com a paisagem e o espaço, desdobrando-o em gravuras, livros de artista, objetos, instalações, ações de coleta e obras site specific. É graduado em Artes Visuais pela UEL, Londrina (2012) e mestre em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2017). Atualmente residindo no Rio de Janeiro, cursa o doutorado e atua como professor assistente de desenho, gravura e pintura na UERJ, e professor de gravura na Univeritas.

Ponto de Queda - Bianca Madruga


Se ao meio-dia a luz intensa faz cegar, como se comporta a visão à meia-noite? Pensar o tempo a partir do espaço é uma das propostas da exposição "Ponto de queda", da artista Bianca Madruga, que será inaugurada no dia 4 de dezembro, às 18h30, fechando o calendário de 2019 da Galeria de Arte Ibeu. Com uma instalação, a artista utiliza o próprio espaço da galeria e elementos como relógios solares, som, luz e escuridão. Além disso, utiliza as medidas do mundo para pensar as do próprio trabalho: peso do corpo, duração das horas, distância das coisas, velocidade da luz. A curadoria é assinada por Cesar Kiraly. 

“Ponto de queda” faz parte do conjunto de trabalhos diurnos da artista, que têm se desenvolvido a partir da ideia de horizonte, não apenas em sua ambivalência – no que diz respeito às noções de tempo e espaço -, mas, principalmente, por se tratar do modo como um povo pensa coletivamente o que está por vir. As estruturas apresentadas por Bianca carregam consigo um certo drama, a partir da ideia de queda. São estruturas feitas de pó, que devem se sustentar em uma lógica avessa a de uma construção. 

“Um monte de cimento ou areia, pedra, que como um poste, aspiram a verticalidade. É preciso imaginar isso. Vai ruir, mas não dá para saber em quanto tempo. Muito por falta daquilo que aglutina", analisa. 

"Parece bonito pensar que para que se vença a gravidade é necessária essa matéria aglutinante - talvez uma ou duas doses de água -, e que apenas a mistura bem cuidada desses elementos poderia trazer a dureza que os faria ascender. A matéria vai cair. Espera- se que caia. Espera-se desta vez, ao invés de olhar para o alto, que se olhe para o chão. São esses os primeiros desejos para essa exposição”, finaliza a artista.    


SOBRE A ARTISTA: 

Bianca Madruga é artista visual. Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Doutoranda em Artes Visuais na UERJ. Formou-se em filosofia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Artista Visual e Mestre em Estética e Filosofia da Arte pela Universidade Federal Fluminense. É fundadora e cogestora do espaço A MESA, no Morro da Conceição, desde 2015. Sua produção tem sido orientada a partir de duas práticas: práticas do meio-dia e práticas da meia-noite.


“PONTO DE QUEDA” 

Exposição de Bianca Madruga encerra calendário de 2019 da Galeria de Arte Ibeu
Abertura: 4 de dezembro (quarta-feira), às 18h30
Visitação: 5 de dezembro a 10 de janeiro de 2020
Funcionamento: segunda a quinta-feira, das 13h às 19h (às sextas, de 12h às 18h)
Recesso: 24/12/2019 a 1/1/2020 

Local: Galeria de Arte Ibeu
Endereço: Rua Maria Angélica, 168 - Jardim Botânico
Tel.: 3239-2863
ENTRADA FRANCA

Venezia - Texto de Cesar Kiraly para a exposição de Bruno Tamboreno


O inconsciente estético, consubstancial ao regime estético da arte, manifesta-se na polaridade dessa dupla palavra muda [...] surda de uma potência sem nome que permanece atrás de toda consciência e de todo significado [...]. Jacques Rancière, O Inconsciente Estético, p. 41.

1. Mais do que isso era julgar estar diante de uma prática que lhe deixava à mercê de si mesma, por implicar saltos e estalos vindos de não sabia de onde, porém de uma sorte de dentro. Além da forma de conceber os objetos de modo a que manifestassem não só um predicado dentre muitos, tendo que ser muita coisa, valendo-se de quase tudo. A pintura, o desenho, a gravura, o carvão, posto que sempre havia olhado para si em sua habilidade, jeito, como se diz. A fabricação de suportes, modos expositivos, invenção de materiais, controle do sentido por eles manifestado, idéias e seus ruídos no estado dos acontecimentos do mundo. Não só ter uma máquina, mas um livro, um autor inteiro, dentro de si mesma, capaz de aproveitar os fluxos de consciência por dentro, por vezes, como um aliado, noutras, como um deus enganador. Um que estaria extasiado com todas as topadas em cujas quinas haveria colocado seus joelhos, mas também um mundo passível de ser usado com as mesmas liberdades da imaginação, na lida material, na aquisição de ênfase artística, só que com todos os percalços da aceitação e do prestígio, e suas, inevitáveis, trocas manipuladoras.

2. Até então, podia permitir tal enovelamento, de estados artísticos, à sua vida inconsciente, no ambiente que habitava, pacientemente, porque havia sentido que a profusão de objetos, e meios disponíveis, era, para ela, sem esforço, circunscrita. Aquilo que atendia, por embebimento conceitual, dizia respeito, por agora, pelo menos, ao reconhecimento de artefatos descobertos dentro de casa. A mescla ao silêncio se daria, no acendimento, a partir do reconhecimento da coisa sua, e sobre ela repetiria infindamente, até se satisfazer, com tê-la, em desenho. Assim cozinhava seus papéis à cozinha e mais as matrizes na alquimia de fibras e reflexos metalizados. Essa técnica tão pouco apropriável, para ela, por um tempo, que fosse, seria a vida na alteridade, desde que suas digitais estivessem em tudo que surgisse naquele estúdio.


3. Além dos objetos silenciosos havia Bruno. Ao mesmo tempo em que não se punha rival dos artefatos era parte daquela intimidade. Se não o desenhava, pelo menos não naquele inteiro processo de repetição e gravura, seria fundamental que estivesse ali dentro. Bruno, por sua vez, na sua própria lida íntima, precisava capturar as pessoas e as coisas em movimento cotidiano. O fato de que aqueles entes esperavam que lhes desse assentimento, por alguma razão, tornava-os, para a relação que com eles queria manter, menos interessantes. Não lhe era necessário tê-los disponíveis, que não resistissem à repetição, ele os elegeria e deles se apropriaria pelo revolvimento no vulto passante. As pessoas teriam as suas aparências tratadas como descobertas e não poderiam se saber observadas para que fosse atingido fulminantemente. Bruno não poderia ser invertido, nem desenhado, nem feito em gravura, uma vez que teria se tornado uma criatura ótica por demais perversa em seus próprios meios. Dentro, ao mesmo tempo, estaria todo do lado de fora. Além dos limites das paredes e ainda a acolher estranhos.


4. Ele dizia para ela que a janela era como uma escotilha e as localidades como imensos conglomerados de terra assistidos pelo mar. Por isso todas as cidades seriam como Veneza. A italiana apenas representaria explicitamente o que de modo sutil estaria por todos os lados, não só por causa do aquecimento do planeta, mas como uma condição do deslocamento das pessoas. A vida, do lado de fora, se apresentaria como um dia em que a atmosfera está muito pesada, em que todos sabem que vai chover, e são indiferentes, até que atingidos pela pesada primeira gota, ou como aquele casaco transpassado na bolsa, que depois será notado pela dona como tendo que ter caído, afinal. Esta era a maneira doce de dizer que assistia aqueles que caminham enquanto não se tomam afogados. Ela reagiu dizendo que os objetos dentro de casa não ignoram que o tempo passa, que a pressa que sente ou a falta dela, não tem que ver com se desprezar essa condição. Se as construções são vistas detidamente, está sempre lá, nelas, mesmo se reformadas, aquela marca do ponto mais alto da água acumulada, mesmo com as oscilações das marés. Ele insistiu que a questão não era diferenciar o dentro do fora, porém perceber que na vida, não tão secreta, dos transeuntes, nada os protege de a tudo, ou a quase tudo, perceber. Ainda que só passantes inconscientes, sempre sabiam, sem admitir, que as pernas se movem cada vez mais lentas, que há cada vez mais líquido para mover. Por isso que o importante, para ele, seria acumular camadas de tempo, como se fossem mostrados todos que cruzaram um ponto ou as partes dos que passaram, e ainda os artefatos silenciosos, como ele, que se sabiam observados, porventura invocados ao se lembrar deles. A sobreposição de imagens atravessando o mesmo caminho, alcançado desde a janela. O tempo então também poderia ser dividido entre telas como a demonstrarem oportunidades diferentes de aprofundamento. Além de que seriam como uma medida da água que sobe. Quão mais numerosas, mais fundo está. O mero instante fotográfico não daria nada disso, só o instante, que não explica nada sobre ver a inundação das gentes, nunca esta sorte delicada de desenvolvimento. As divisões são como marcas à porta no acompanhamento do crescimento das crianças.


5. Bruno a ela dizia que todas aquelas pessoas dentro de casa era o modo como encontrara para não fazer como Aschenbach ao jovem Tadzio. Porque assim não haveria porque perseguir os passantes em Veneza. Ora, não importa quantas vezes mais seria visto com água pelas canelas, ignorando-a, mas que seria ridículo correr atrás das pessoas. Isso demostraria que confundiria entre a necessidade de se distrair da umidade, aparecendo nas paredes, e algum tipo de apaixonamento. Dito isso, pensaram, ao mesmo tempo, que o fino equilíbrio seria interrompido no momento em que faltasse espaço para todas aqueles desconhecidos, por agora, redirecionados para ver justamente aquilo que ignoram. A Morte em Veneza, como descrita por Mann, ou montada por Visconti, poderia muito bem ser vivenciada ali, até que nenhuma lembrança fosse mais guardada na água. Para toda alma de um objeto invertido haveria um bem disposto dono transeunte. Quem sabe assim as vozes cessassem, ela o perdoasse e tivessem o silêncio da casa de volta.

6. Bruno deixara esta nota sobre uma série de xilogravuras separadas. Ela a encontrou na manhã em que deveriam deixar a cidade em que moravam e a partir da qual se isolavam e entendiam a inconsciência dos outros em si próprios e rumariam a outra em que o mar os oprimiria por todos os lados. Na citação, lembrou cuidadosamente de dar o crédito do conto A Casa Inundada ao uruguaio Felisberto Hernández:

Eu me cansava de ter esperanças e levantava os remos como se fossem mãos entediadas de contar sempre as mesmas gotas. Mas já sabia que, noutras voltas do barco, terminaria a descobrir, uma vez mais, que esse cansaço era uma pequena mentira misturada a um pouco de felicidade. Então me resignava a esperar as palavras que me viriam daquele mundo quase mudo, de costas para mim, deslizando com o esforço de minhas mãos doloridas.



Cesar Kiraly é professor de Estética e Teoria Política à UFF. Desde 2015 é Curador da Galeria IBEU. Autor, dentre outros, de Fuga sobre o Branco [ ].

Tratado geral das grandezas do ínfimo - Rick Rodrigues




Galeria Ibeu convida para a abertura da exposição

Tratado geral das grandezas do ínfimo - Rick Rodrigues
Curadoria: Cesar Kiraly 

Abertura: 3 de setembro (terça-feira), às 18h30
Funcionamento: 4 de setembro a 4 de outubro de 2010, 
de segunda a quinta-feira, das 13h às 19h (às sextas, de 12h às 18h)


Esta é a primeira individual do Rick Rodrigues na cidade do Rio de Janeiro. Ele flertou com esta capital em uma residência à casa do Bispo do Rosário no antigo manicômio da colônia de Juliano Moreira e outrora em Teresópolis. Nasceu e mora em uma pequena comunidade nos arredores de Vitória no Espírito Santo. A arte visual, descoberta na faculdade, muda a sua relação com o mundo. É quando pode se apropriar da tradição das bordadeiras para mostrar como a percepção do corpo é afetada pela representação do meio em que está e pelos animais, reais ou de brinquedo, com os quais se estabelece proximidade. Seu trabalho é composto de costuras minudenciosas em tecidos de algodão, papel e objetos comuns, como peneiras. A relação com a poesia do Manoel de Barros é evidente no uso do âmbito complementar entre a ternura, a loucura e as memórias reprimidas. É quase impossível não desconfiar da harmonia doce que oferece. Nisso parece sugerir um acesso intrigante à persistência do material infantil nas ilusões da vida adulta. (Cesar Kiraly)

A chave de casa - Caroline Veilson



Galeria Ibeu convida para a abertura da exposição

A chave de casa - Caroline Veilson
Curadoria: Cesar Kiraly 

Abertura: 3 de setembro (terça-feira), às 18h30
Funcionamento: 4 de setembro a 4 de outubro de 2010, 
de segunda a quinta-feira, das 13h às 19h (às sextas, de 12h às 18h)

Caroline é de uma pequena cidade dos arredores de Porto Alegre e pela primeira vez expõe no Rio de Janeiro. A sua vivência artística se inicia na faculdade, mais especificamente no laboratório de revelação fotográfica. Imediatamente se sentiu atraída pela dimensão apurada e lenta de obtenção de finos resultados. Esse foi um dos motivos da sua passagem à gravura. A sua produção atual concerne aos modos sustentáveis de matrizes e a produção doméstica de papel. Esta individual parte de uma espécie de inversão, como numa gravura, do argumento do livro publicado pela Tatiana Salem Levy em 2007. Neste, Tatiana fala da história de judeus portugueses, caso da sua própria família, que, uma vez expulsos, traziam consigo a chave de suas casas, na esperança de retornar um dia. Caroline trata do acolhimento ao outro a partir dos objetos deixados. A aceitação da memória que restou para trás. Estes artefatos são estudados sequencialmente, e diariamente, até que tenham se feito uma parte da própria observadora. Os resultados são dispostos em séries junto com as suas matrizes. Uma vez que não é o caso de perder o que se foi. Trata-se do recebimento, a partir das complexidades contemporâneas à representação, de um mundo em que a vida dentro é ainda composta de cabideiros, cadeiras de madeira escura, guarda-chuvas e cadeiras de balanço. (Cesar KIraly)

Release NOVÍSSIMOS 2019



NOVÍSSIMOS 2019 - Único Salão de Artes do Rio chega à 48ª edição na Galeria de Arte Ibeu
Inauguração: 18 de julho, às 18h


A edição deste ano será composta por temáticas diversas. Inspirado pelos últimos debates sobre o poder que as cores têm de identificar segmentos, o artista Evandro Machado, por exemplo, irá expor imagens que buscam sabotar a transformação das cores em discurso político. As obras retratam um mundo frio e calculista, onde tudo tem que ser levado a uma construção geométrica da realidade e os objetos não têm peso, não há gravidade. Dentro deste universo existem monolitos, presenças de imposição neste lugar inerte, no qual cubos flutuam carregando uma bandeira similar a brasileira. 

"Parte do discurso do trabalho é a vontade de criar confusões, a partir da contaminação desses campos cromáticos. O verde e o amarelo têm o poder de serem representativos do que o brasileiro acredita. Nesse momento nacionalista, percebemos que o vermelho, por exemplo, se tornou uma cor mais difícil de ser aceita", explica Evandro, que se inspirou no filme "2001: uma odisseia no espaço" para compor estas obras.

A dupla de gêmeos Tangerina Bruno irá expor a série “Para uma pintura”, composta por 2.971 fotografias em forma de objetos que são oferecidos ao público para serem manuseados. As obras mostram a origem do processo de criação dos artistas, que pintam a partir de fotografias tiradas por eles mesmos realizando ações, da maneira mais natural possível, em casa. 

“São imagens muito cruas, pois não estávamos preocupados se seria uma foto bonita, mas queríamos entender qual a ideia e chegar na imagem. Pegamos uma única imagem e usamos de referência para pintura, ou juntamos para colagem, reunimos no Photoshop para fazer a cena, passamos o desenho para a tela e começamos o processo de pintura. Quando pensamos neste processo, geralmente temos acesso ao resultado final. Mas, dessa forma, estamos representando todas as possibilidades que poderiam ser dadas à pintura”, analisa a dupla.

“O sigilo é a garantia do replay", "nunca vou gostar de você mais do que gosto de beber", “só me curta se tiver todos os dentes na boca”, “desaprendi a flertar, mas ainda sei comer e tomar vinho” são algumas das frases presentes no oráculo que será apresentado pela carioca Juliana Gretzinger, todas retiradas de aplicativos de relacionamento há cerca de dois anos. “Vejo o oráculo com humor, pois há um deboche envolvido. É um oráculo que, na verdade, não está preocupado em responder nada”, resume a artista. 

Fernanda Sattamini irá apresentar o trabalho “As ondas que nos separam”, composto por gravuras com mensagens que a artista escreveu pensando em enviar para alguém e, depois, molhou na água do mar. 

O paulistano Marcus Duchen irá expor duas obras inspiradas em uma viagem feita durante cerca de quatro anos por cidades do Sul de Minas, na qual o artista captou as impressões e as cores dos locais. Segundo ele, esta é uma pesquisa, quase geográfica, de alguém que não tinha naturalidade com os ambientes visitados e que, por meio da abstração, pode captar as sensações proporcionadas pela viagem. 

Mariana Hermeto irá apresentar parte de objetos e materiais presentes em uma casa. Em um exercício de agrupamento, a artista trabalha a geometria e a (des)função de cada um deles, buscando a poesia na ressignificação do que é ordinário. O trabalho de Mariana se baseia na pesquisa da construção de uma arquitetura íntima e se assenta no cotidiano e nas relações estabelecidas a partir dele. 

Na série "Força", Fernando Soares utiliza a borracha de câmaras de bicicletas e as ressignifica para abordar a maleabilidade da matéria. O artista recolhe o material em uma loja de bicicletas perto de seu ateliê e tenciona a borracha em um chassi de madeira, retratando as nuances entre o tenso e o relaxado, como a respiração. A ideia é abordar movimentos completamente opostos mas que, na verdade, são complementares. "Nos trabalhos de Novíssimos, os selecionados são os mais tensionados. Na superfície de borracha, forço um pouco o material para ter abertura e criar conceitos de espacialidade. O próprio material se contrai e, por vezes, está solto, relaxado, tendendo apenas para a força da gravidade", explica o artista. 

Os desenhos figurativos de Henrique de França exploram o branco do papel através de mínimas insinuações de linha e sombra. Sua inclinação a abandonar figuras no vazio é audaciosa e intrigante. Assim, o artista define artificialmente os limites entre o urbano e o rural como os limites da civilização, de modo a criar dramáticas composições onde algo parece estar para acontecer ou acabou de acontecer. Há um sentimento de reflexão, como se os personagens estivessem em profundo pensamento sobre a vida, memória, esperança e mudança. Os trabalhos criam histórias com as quais todos podem se relacionar de um ponto de vista pessoal e nostálgico, mas ao mesmo tempo relatam o confronto de gerações, tradições e classes, como modo de refletir sobre a construção de uma sociedade, por uma perspectiva latino-americana.  

Thais Stoklos irá apresentar a série “Sol, estou acordada”, falando sobre o dia e noite, luzes do céu, o pôr do sol, de intensidades de energia, de sentimentos humanos. Seus trabalhos são apresentados como verdadeiras pinturas feitas através da sobreposição de tules, que foram introduzidos nas obras da artista através da confecção de saias de bailarinas para suas filhas. Neste sentido, ela lança mão de tudo aquilo que é descartado: linhas, papéis, galhos, tecidos e pedras são reunidos e, com eles, Thais propõe novas formas, agrupando elementos em uma linguagem urbana, industrial ou natural. Como que se traçando caminhos ou construindo monumentos efêmeros, retrata a importância do sutil, na fugacidade do contemporâneo.

A artista Cláudia Lyrio irá expor duas obras: "Teoria" e "Anteparo". "Teoria" é um trabalho híbrido de desenho e pintura, de ficção e ciência, que tem como objeto o estudo do Pardal, ave da cidade (ave da polis, ave política). Cláudia apresenta esse pássaro de diversas maneiras e aponta algumas de suas características com pequenos textos entremeados. Este trabalho é a ação de observar e traz as etapas do desenho, os rascunhos, as inseguranças e inquietações do estudo. Mostra dados do animal e de seu ciclo de vida, nome científico e ano de sua chegada ao Brasil escritos em retalhos de linho colados sobre um canto da tela. Já a obra "Anteparo" é um desenho a carvão, grafite e aquarela sobre tela de algodão com imprimação transparente, mostrando uma floresta em perspectiva lateral, com árvores secas e queimadas. É um políptico composto de cinco telas que evocam o formato de um biombo dobrável de pequenas dimensões. Na primeira tela à esquerda, um pássaro solitário observa a vastidão da natureza degradada.

Inspirada no filme Blade Runner, Talita Tunala usa a metáfora das metrópoles chuvosas, sombrias e melancólicas, trazendo para o presente e representando cenas cotidianas atuais com a mesma atmosfera desalentada. Para Novíssimos, a artista procurou dar mais densidade aos tons escuros das obras, retirando com ranhuras a cor do papel cartão, acrescentando pequenas coberturas com lápis de cor, ao invés de usar a tinta sobre o papel branco como normalmente faz. Esse gesto é similar ao de um esculpir sutilmente, fazendo emergir imagens como se estivessem esperando para serem descobertas, exigindo do espectador um certo esforço do olhar para seu desvelamento.  

A pesquisa central dos trabalhos de Nicole Kouts gira em torno da ressignificação de imagens, lugares da memória, narrativas multiformes, sobreposição de linguagens, dogmas da atualidade e da arqueologia do processo criativo. Todas essas questões são compreendidas dentro de um contexto de convergência e divergência entre os meios analógicos e digitais. Essa investigação é uma constante tentativa de encontrar consistência e novos parâmetros no quebra-cabeças que é a linguagem visual contemporânea. "As interlocuções entre arte e tecnologia, imagem impressa, audiovisual, desenho e colagem são a principal matriz geradora destes trabalhos. Há também a influência de outras linguagens artísticas como a música, o cinema, os quadrinhos, a ilustração, a literatura e o teatro. Os títulos, textos e sobreposição de imagens são um elemento importante, em geral compostos por minúcias que coleto em meus cadernos, abordando a amplitude das transformações de sentido e de narrativas construídas por múltiplas associações", explica Nicole.

“Novíssimos” tem como proposta reconhecer e estimular a produção de novos artistas, e com isso apresentar um recorte do que vem sendo produzido no campo da arte contemporânea brasileira, em suas variadas vertentes. Até 2018, 633 artistas já haviam participado de Novíssimos, que teve sua primeira edição em 1962. 


SOBRE OS ARTISTAS 

Cláudia Lyrio é natural do Rio de Janeiro, onde vive e trabalha. Sua pesquisa busca pensar o ciclo da vida, a natureza e seus elementos, tendo a pintura como linguagem. A artista tem seu interesse voltado para questões cromáticas, alquímicas, processo e artesania. Em seu trabalho, uma ideia de paisagem vem se deixando entrever através de diálogos com pensamentos de campos de cor, Land Art e com as pesquisas dos viajantes naturalistas. Distância, perda, deterioração e efemeridade são parte do seu vocabulário. Formação em Pintura e Letras (UFRJ), especialista em História da Arte (PUC-Rio) e mestre em Literatura (UFRJ). Algumas exposições já realizadas: “Luz Balão” (Galeria Solar/RJ); “Pessoas, Cidades e Afins” (MARCO/MS); “Aos Fios Entreguei o Horizonte” (Galeria Hiato, Juiz de Fora/MG), todas em 2018. Em 2017, destacam-se: “Imersões” (Casa França-Brasil/RJ), “Além da Imagem” (Sem Título Galeria, Fortaleza/CE) e “Miragens” (CMAHO/RJ). Participou dos Salões Rio Claro (2015), Guarulhos e Vinhedo/Prêmio Aquisição Pintura (2016) e Fortaleza (2017). Artista selecionada para individual no Museu de Arte de Blumenau (SC) em 2019.

Evandro Machado é natural de Blumenau, mas vive e trabalha no Rio de Janeiro. Foi ilustrador e desenhista de HQ em Santa Catarina. No Rio de Janeiro, em 2007, frequentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Em 2006, fez a primeira viagem no Programa Dynamic Encounters e, em 2008, participou da Residência CAPACETE, no Rio de Janeiro. Em 2009, realizou uma campanha da TV Futura para a Organização Mundial de Saúde, com curadoria de Fernando Cochiarale. Recebeu bolsa de estudos no Parque Lage para o Programa, em 2011, e Bolsa de Acompanhamento de Pesquisa, em 2013. Seus trabalhos foram acompanhados por Luiz Ernesto, Lívia Flores e Glória Ferreira.

Juliana Gretzinger é formada em Práticas Artísticas Contemporâneas pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (2015) e em Produção Audiovisual pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro (2017). Atualmente, é estudante no curso de Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFRJ, exercendo função de pesquisadora bolsista no projeto PIBIAC Fotografia Contemporânea. Pesquisa a fotografia, a imagem digital e os efeitos da internet na sociedade contemporânea. 

Fernanda Sattamini vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua produção explora processos experimentais e alternativos, transitando entre fotografia, gravura, escultura e objetos. Tomando como ponto de partida imagens apropriadas e suas próprias fotografias e anotações, a pesquisa que desenvolve aborda questões acerca da memória, saudade e solidão. Graduada em Publicidade e Marketing pela PUC-Rio, completou seus estudos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Ateliê da Imagem e Escola sem Sítio, no Rio de Janeiro.

Fernando Soares nasceu em São Paulo, onde reside e trabalha. Seu trabalho discute a natureza pictórica da matéria em si, através de pinturas/objetos, colagens e instalações. Sua pesquisa parte das propriedades e/ou ambiguidades dos materiais que utiliza e fatores como ação e reação dos mesmos em seus trabalhos. Iniciou seus estudos e produções de maneira autoditada, aos 17 anos, para posteriormente frequentar o Hermes Artes Visuais, onde ainda participa de elaborações de projetos e acompanhamento de sua produção. Participou de diversas exposições coletivas e individuais em galerias e espaços independentes, além de ser selecionado para salões e feiras de arte contemporânea.

Henrique de França nasceu e trabalha em São Paulo. Formado em Artes Plásticas pela USJT e pós-graduado em Design Gráfico pela FAAP, já participou de diversas exposições no Brasil e no exterior, entre elas “No Barrier to Entry”, na Gallery19, em Chicago (2018) e “Desenho Ocupado”, na Galeria Leme, em SP (2009). Entre suas exposições individuais destacam-se “Torpor”, no Sesc Interlagos, em SP (2016), e “Lugares Congruentes”, no Carpe Diem Arte e Pesquisa, em Lisboa, Portugal (2013). Os trabalhos exploram as possibilidades de representação do imaginário latino-americano no tocante à sua história recente, sobrepondo memória individual e coletiva dentro do escopo do desenho contemporâneo figurativo.

O paulistano Marcus Duchen iniciou muito jovem sua trajetória pelas artes, com participações em projetos e campanhas como ilustrador, em São Paulo. Em 2001, já em Minas Gerais, se formou em Arquitetura e, em 2004, fez sua primeira mostra coletiva no grupo Poéticas Visuais, no Instituto Moreira Salles, em Poços de Caldas. Depois, veio a exposição individual por premiação no BDMG Cultural, em 2006, em Belo Horizonte, e a coletiva no Espaço Cultural de Guarulhos, em 2008, em São Paulo. Em seguida, uma individual por premiação no Salão de Arte Contemporânea de Guarulhos, no mesmo ano. Outros prêmios vieram, como a menção honrosa no Salão de Arte Contemporânea de Arceburgo, Minas Gerais, em 2018, a seleção pela publicação de arte na Califórnia, Selah Magazine, no mesmo ano, e aprovação na galeria Art Lab Gallery, em São Paulo, entre outros. Em 2018, o artista também teve uma obra incluída no Livro “Arte Sempre”, coletânea dos artistas de Minas Gerais. Sua plataforma de expressão é o óleo sobre a madeira, em grandes painéis que misturam, atualmente, o abstrato a instantâneos da vida, em traços imemoráveis de paisagens mineiras.

Mariana Hermeto é designer e artista. Sua pesquisa se assenta no cotidiano e nas relações estabelecidas a partir dele. Numa procura por brechas e encaixes, através da contenção e da ruptura, do acúmulo e do vazio, há uma busca silenciosa pela ressignificação do comum e pela construção de uma arquitetura íntima. Participou de exposições coletivas como “Formação e Deformação”, nas Cavalariças da EAV Parque Lage, em 2018; “Fixo, só o prego”, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, e “Doze métodos de se chegar a lugar algum”, no Paço Imperial, em 2019.

Nicole Kouts é graduada em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e desenvolve seus trabalhos de forma multidisciplinar nas linguagens da arte e tecnologia, do audiovisual, da imagem impressa e do desenho. Participou de exposições coletivas nacionais e internacionais, dentre elas a “SP-Arte” (São Paulo, 2018 e 2019), “MADA - 1ª Mostra Audiovisual do Barreiro” (Belo Horizonte, 2018), Abstratas Moradas (Museu Belas Artes de São Paulo, 2018), “1ª Bienal de Artes de Taubaté” (Taubaté - SP, 2018) e “Cosmovisión Femenina” (Cidade da Guatemala, 2018). Realizou cursos e oficinas com os artistas Paulo Bruscky, Lourenço Mutarelli, Carlos Fajardo, Márcia de Moraes, J. Borges, Helena Freddi e Augusto Sampaio, e é assistente da artista Lia Chaia, importantes referências em sua pesquisa. Dedica-se também à ilustração, figurino e cenografia, fantoches e à música.

Thais Stoklos nasceu na África do Sul e reside em São Paulo. É formada em Pedagogia (2000) pela PUC-SP e pós-graduada em Imagem e Som pelo Senac (2005). Participou de residência artística em Londres, na Slade School of Fine Arts (2016), e em Berlim, na Berlin Art Institute (2017). Participou do grupo de acompanhamento de projetos com Pedro França, no Mam (2015), e, atualmente, participa do grupo de acompanhamento com Nino Cais, Carla Chaim e Marcelo Amorim, no Jardim do Hermes. Já expôs individualmente na Galeria Arte Formato e Arte Hall e, coletivamente, em diversas galerias e salões. Foi ganhadora do prêmio do Salão Nacional de Artes no Mac de Jataí.

Talita Tunala vive e trabalha no Rio de Janeiro, e é graduada em Psicologia. Sua formação artística foi feita na EAV/RJ e na Escola Sem Sítio/RJ. Dentre as exposições que participou nos últimos três anos, destacam-se a individual “O Melhor Fruto”, no Espaço Cultural Correios, em Niterói (2019) e as coletivas “Aos Fios Entreguei o Horizonte”, na Galeria Hiato, em Juiz de Fora; “A/Fronta/A”, na UNB, em Brasília; “Feminino Gabinete de Curiosidades”, no Museu Palácio Rio Negro, em Petrópolis; “Luz Balão”, na Galeria Solar, no Rio de Janeiro, todas em 2018. Em 2017, destacam-se os salões “68º Salão de Abril Sequestrado”, “Salão das Ilusões” e “Fortaleza”, e as coletivas “Miragens”, no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro; “Além da Imagem”, na Galeria Sem Título, em Fortaleza; “Imersões Poéticas”, na Casa França-Brasil, no Rio de Janeiro.

Tangerina Bruno é a dupla formada pelos gêmeos Letícias e Cirillo, naturais de Porto Ferreira, onde vivem e trabalham a quatro mãos e duas cabeças, da concepção à execução. Assinam com o seu sobrenome, Tangerina Bruno. Entre as exposições, destacam-se “Novas Aquisições” (2012-2014); “Coleção Gilberto Chateaubriand”, no MAM/Rio; “Coletiva no Auroras”; “17º Programa Exposições”, no MARP”; “28ª Mostra de Arte da Juventude”, no Sesc Ribeirão Preto. Entre os salões que já participaram estão “50º Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba” e o “25º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande”.


Salão de Artes Visuais Novíssimos 2019
Abertura: 18 de julho de 2019, das 18h às 21h
Exposição: 19 de julho a 23 de agosto de 2019
Horário de visitação: segunda a quinta, de 13h às 19h (às sextas, de 12h às 18h).
Endereço: Rua Maria Angélica, 168 – Jardim Botânico – RJ 
(21) 3239-2863 / galeria@ibeu.org.br
Entrada franca
Classificação etária: livre